04/12/2025
Senta que lá vem textão... o discurso de paraninfo de ontem:
Magnífico reitor, professor Marco Aurélio, se me permite, saúdo a reitoria pela professora
Alice Orrú, mulher, educadora, destino pedagógico que desejo às minhas afilhadas desta
noite.
Ao corpo docente da Pedagogia, tão bonito quanto generoso, se me permite professora
coordenadora Nayara, dirijo minha gratidão por meio da professor Cássio, companheiro
desde os primeiros sonhos da Pedago, da pandemia... e deixo que meus cumprimentos viagem como um
rio manso até cada mestre que acompanhou estes caminhos.
Aos familiares, pais, mães, amigos, saúdo na figura do senhor Claudinei, pai da formanda
Raíssa,
que atravessou quatro anos em orações, de Andradas até aqui, tecendo um fio invisível que
amparava o passo da filha. Assim também foram meus pais. Assim tento ser eu, pai,
também.
Cantaria o Vinícius de Morais: “Menininhas do meu coração”... o tiozão aqui já foi jovem.
Carregava perguntas demais e respostas de menos. Como quem leva pedras preciosas e
pesadas no fundo dos bolsos e reclama exclusivamente do desconforto, não percebendo o
valor.
Quando me formei, o mundo se abriu de novamente e eu apenas via um caminho que me
faria caminhar sobre um chão de gelatina, que tremia a cada passo, ao passo que as
dúvidas estouravam como pequenas explosões solares.
Uma coisa é certa: A universidade, mesmo cansando, mesmo pedindo o banho adiado, a
janta deixada para depois, cria um ninho. Naquele lugar, após m corredor comprido do
elevador à última sala, do último andar, a gente sempre soube que existia alguém
esperando a gente chegar, né?
Romper esse ninho dói. Desfaz-se a zona de conforto, vem um frio na barriga, um silêncio
estranho,
uma pontinha de medo. Um chão tremelicando em um céu de erupções.
Mas junto dele nasce a primeira centelha de um sonho novo. O primeiro sopro de uma
esperança inédita.
Permitam-me acalentar com um pouco de poesia... há mais de cem anos, Rainer Maria
Rilke sussurrou
aos jovens poetas do mundo: “Ame as perguntas. Ame-as como quartos fechados, como
livros em língua estrangeira. Não cobre de si respostas que você ainda não pode viver.
Viva as perguntas. E um dia — de repent