17/03/2026
Os EUA trocam a espada pela Lança
O exército americano surpreendeu o mundo quando decidiu trocar sua carabina M4, sua metralhadoras leves M249(FN Minimi), assim como o calibre por elas usado, o 5.56x45mm, não por outro calibre intermediário, como há muito se especulava, mas sim por um calibre de alta potência, inclusive maior que o 7.62x51mm usados nas metralhadoras médias M240(FN MAG) e Rifles de atirador designado como o M110A1(G28/HK417).
O calibre escolhido no programa foi o 6.8x51mm com uma pressão na câmara muito maior que o 7.62x51mm, fazendo a munição ter um alcance e precisão muito maior, além de ser capaz de penetrar proteção balística corporal nível IV, coisa que o 7.62x51mm e o 5.56x45mm não conseguem fazer nem com munição especial AP(M993 e M995). As novas armas são a metralhadora leve M250 e a carabina M7, que é o fuzil SIG SPEAR (lança).
Mas qual foi o motivo disso?
Primeiramente é a multiplicação de placas balísticas nível IV, e o uso mais generalizado de proteção balística corporal em geral, como é possível ver na guerra da Ucrânia, onde soldados usam proteção balística nas pernas, nos ombros, na pélvis e até nas nádegas além do colete e do capacete tradicionais. Quem entende minimamente de combate, sabe que fogo de supressão é o que mais frequentemente causa ferimentos na tropa inimiga em um combate convencional, ao invés de tiros individuais certeiros como a maioria das pessoas frequentemente imaginam, além do que no combate a curta distância o centro da massa do alvo sempre é o ponto onde o infante vai mirar para aumentar a probabilidade de acertar e incapacitar um alvo em movimento no combate dinâmico. Então, com o inimigo coberto com proteção balística corporal o ideal é ter uma arma capaz de penetrar tal proteção em diferentes circunstâncias, tanto em supressão em médias e longas distâncias, como em combate aproximado.
O segundo ponto é a evolução dos sistemas de miras, onde estamos vendo miras de ponto 6x e 8x sendo amplamente usadas pela infantaria com sucesso desde o Afeganistão e agora também na Ucrânia, e são miras com ampliação de imagem que fazem um alvo a 600 ou 800 metros de distância parecer estar a 100 metros, além de permitir uma mudança rápida para engajar um alvo em curta distância num combate dinâmico se necessário. Mas essas miras já não são o que há de mais moderno, pois miras "inteligentes", com integração de sensores como telemetria laser, calculadora balística e inteligência artificial para travar e orientar o disparo preciso nos alvos de modo dinâmico em diferentes distâncias, já estão sendo utilizadas, como a mira SMASH 2000 de Israel, que está sendo usada inicialmente para proteger bases contra pequenos drones por vários países, como o próprio EUA. Os EUA estão desenvolvendo sua própria mira inteligente para no arma, a XM157, mas essa mira vai além, pois deve ter um código aberto para futuramente ser integrada por link sem fio ao novo sistema de visão de realidade aumentada do exército americano(IVAS), que consiste num óculos para projeção de imagens em realidade aumentada dos sistemas conectados, como visão noturna, visão termal, e o próprio retículo da mira na lente, direcionando com precisão o atirador para o alvo, sem nem mesmo precisar estar fazendo a visada diretamente com o fuzil engajado, levando a dinâmica do combate em múltiplas distâncias e fusão de sensores a um nível que até hoje só pilotos dos caças mais avançados haviam experimentado.
O novo calibre torna isso possível, pois é capaz de penetrar proteção balística nível IV, e também tem alcance e precisão muito maior, inclusive é considerado mais preciso que o queridinho dos atiradores de precisão, o 6.5 creedmoor. Enquanto a arma em si, o M7, tem sido tratado como o patinho feio, com reclamações principalmente sobre seu peso, mas um M7 com cano de 13 polegadas tem 3,8kg de peso vazio, enquanto um HK416 M27 5.56 com cano 16 polegadas do USMC pesa 3,6kg vazio, enquanto a nova versão 10 polegadas do M7(nomeado XM8) tem 3,3kg de peso vazio, e ambos são mais curtos que o M27. Outra reclamação é referente a quantidade de munições, devido ser um calibre maior e com mais peso, o soldado levará menos munições, mas o exército americano afirma que a dinâmica dos novos sistemas de combate vão dar um nível de precisão muito acima do atual, e somado ao aumento do alcance do engajamento, Irá compensar a menor quantidade de munições, que será equivalente ao que exércitos que ainda usam 7.62x51mm transportam, mas com 15% menos peso, devido às novas munições terem um estojo híbrido de aço, mais leve.
Os cenários de eventuais guerras que os americanos visam, também são um ponto fundamental para observar as escolhas das armas da infantaria, com a Rússia, com principais campos de batalhas prováveis sendo as estepes do leste europeu e o ártico, enquanto na China há os vastos desertos e montanhas do oeste, e região montanhosa da manchuria, principais pontos que os americanos poderiam usar países aliados para lançar ataques diretos contra esses países. Podemos ainda citar como provável também o Irã, que é um grande deserto com uma relevante cadeia de montanhas e vales. E esses cenários mostram muito o que foi visto no Iraque, e Afeganistão e agora também na Ucrânia, onde há combates próximos, mas a maioria é em distâncias maiores e que favoreceriam a nova "Lança". Taiwan e ilhas do pacífico são uma possibilidade de guerra mais em ambiente de selva, mas nesses cenários o combate recairia principalmente sobre o USMC (fuzileiros navais), como na segunda guerra mundial, e eles a princípio continuarão equipados com seus fuzis M27 5.56x45mm.
Será que a "Lança" vai se tornar novamente a principal arma da infantaria, como já foi em muitas épocas do passado, como nas lendárias falanges de Alexandre O Grande, ou nas legiões romanas?