21/05/2026
A frase de Efésios 4,4 — “Um só corpo e um só Espírito, como uma só é a esperança à qual Deus vos chamou” — nos coloca diante de uma identidade profunda: não somos cristãos isolados, mas parte de um mesmo povo chamado por Deus.
Ser “um só corpo” não significa uniformidade, onde todos pensam ou vivem da mesma forma. Pelo contrário, o corpo é formado por muitos membros, com funções diferentes, mas todos necessários e interligados. Assim também é a vida cristã: cada comunidade, cada tradição e cada pessoa tem dons próprios, mas todos pertencem a Cristo e se complementam no amor.
Quando Paulo fala de “um só Espírito”, ele nos lembra que a unidade não é apenas resultado de esforço humano, mas dom de Deus. É o Espírito Santo quem sustenta a comunhão, cura as divisões e nos ensina a reconhecer o outro como irmão, mesmo nas diferenças.
A “uma só esperança” é o horizonte que nos une: a vida em Cristo, a salvação e a construção do Reino de Deus. Essa esperança impede que fiquemos presos a disputas ou barreiras, pois nos faz olhar para o essencial — o seguimento de Jesus.
Assim, esta Palavra nos convida a um caminho concreto: transformar diferenças em riqueza, superar divisões com diálogo e viver a fé com espírito de comunhão. A unidade cristã não é apenas um ideal distante, mas uma missão diária que começa no respeito, na oração e no amor vivido em pequenas atitudes.
No fundo, esta passagem nos recorda que a unidade já foi iniciada por Deus; a nossa tarefa é acolhê-la, cultivá-la e testemunhá-la ao mundo.
Texto: Pe. Marcos Brito, SVD
Provincial em exercício dos missionários do Verbo Divino.