28/04/2026
Defender um trabalho, em determinado momento da trajetória, não é apenas concluir um ciclo.
É explicitar uma tomada de posição.
No último sábado, concluí o 1º CEGEM — Curso de Especialização em Gestão de Escolas Médicas, promovido pela Associação Brasileira de Educação Médica e operacionalizado pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. O trabalho, aprovado sem ressalvas, parte de uma inquietação concreta: a dificuldade de transformar diretrizes e competências em prática formativa real.
A proposta estrutura a transição do modelo tradicional para a Educação Médica Baseada em Competências, utilizando Inteligência Artificial e Backward Design para operacionalizar as 27 competências das DCNs 2025 e a matriz do ENAMED. O ponto central não é tecnológico, é metodológico.
Ao recuar do perfil esperado no egresso para o ingressante, o modelo propõe uma mudança: sair da organização de conteúdos para o desenho de trajetórias de responsabilidade progressiva. Assim, competências deixam de ser abstrações e passam a ser traduzidas em Atividades Profissionais Confiáveis — unidades reais de prática atribuíveis ao estudante.
Isso desloca o eixo da formação:
De ensino → decisão
De conteúdo → prática
De avaliação → confiança
A IA, nesse contexto, não é apenas apoio, mas elemento estruturante do currículo, tornando explícito como e quando alguém está pronto. Mas essa potência exige cuidado: se organiza o currículo, não pode definir seus fins.
Um currículo por competências só se torna formativo quando mantém no centro o julgamento e a responsabilidade.
Talvez a questão não seja apenas como estruturar essa transição, mas como garantir que, ao torná-la mais eficiente, não se reduza o essencial: aprender a decidir em contextos reais.