07/10/2017
André Lara Resende em seu livro “Juros, Moeda e Ortodoxia: Teorias monetárias e controvérsias políticas”, muito felizmente, traz à tona o brilhante Eugênio Gudin Filho. Gudin (1886-1986) era carioca, engenheiro formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, professor, escritor e ministro da fazenda no breve governo Café Filho (1954-1955). Interessado em economia, participou da Sociedade Brasileira de Economia Política, a qual tinha interesse em estabelecer uma escola de economia no Rio de Janeiro, fundada em 1938. Tornou-se o primeiro catedrático da mesma escola a ser aprovado em concurso.
Em meados da década de quarenta, participou de um famoso debate, muito bem compilado no livro “A controvérsia do planejamento na economia brasileira”, com outra grande economista, Roberto Cochrane Simonsen. Este último era defensor da industrialização, e que essa industrialização, não poderia ser inteiramente realizada pelo setor privado necessitando do planejamento central, do protecionismo, no corporativismo e demais intervenções. Já para Gudin, a economia brasileira era excessivamente controlada pelo Estado na época. Como solução ao subdesenvolvimentismo brasileiro, propunha a criação de instituições preocupadas em evitar abusos econômicos, monopólios, e nos levar a um ideal de mercado competitivo.
Eugênio Gudin com certeza era um homem a frente de seu tempo. Em meio ao mar de políticas Keynesianas, enxergava a saída da pobreza pelas instituições e modelo estrutural do país, algo que somente 40 anos depois Douglas North nos trouxe em seu brilhante arcabouço de obras.
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GUDIN, Eugênio. Análise de problemas brasileiros: coletânea de artigos 1958-1964. Rio de Janeiro: Agir, 1965.
GUDIN, Eugênio. Para um Brasil melhor. Rio de Janeiro: APEC, 1969.
GUDIN, Eugênio. Princípios de economia monetária. Rio de Janeiro: Agir, 1979.