28/10/2024
Em nossa pesquisa: Genealogia das Sementes: Ancestralidade, território e memória na cidade de Itaiçada, fomos atrás da ancestralidade indígena e africana nos batistérios, casamentos e obituários mais antigos do Aracati. Tal escolha refere-se ao fato de que Itaiçaba, antes chamado de LUGAR Passagem das Pedras foi inicialmente ligado ao território aracatiense. Nosso rumo foi a cidade de Limoeiro do Norte, especificamente na Curia Diocesana. Muitas emoções nos atravessaram. Nos deparamos com o encontro de um patrimônio histórico feito " à bico de pena", ora borrado pelo tinteiro, ora amarelado pelo tempo, ora registrado de modo indecifrável pelos padres "cura". Escolhemos os livros mais antigos que lá se encontram, datados de 1780. Achamos livros inteiros ou comidos pelas traças em suas letras rebuscadas, contando as estórias de nascimento, uniões e passagem dessa vida. Dos escravizados, muitos registros foram encontrados que só cabiam o nome da mãe, sempre também cativa de um amo ou senhor. Povos vindos da Angola se destacavam. Dos indígenas, vimos de modo recorrente, casamentos entre membros da mesma tribo.
Nos obituários, o relato dos tipos de doença e a cor e tipo de mortalhas. Em certos registros mais detalhados de batismo, constavam o nome do pai, da mãe e dos avós. Uma linhagem precisava ser delimitada, uma vez que eram de crianças brancas. No entanto, apesar das diferenças, tais livros em uma coisa se igualavam: o lento processo de apagamento das letras, das tintas, até que em alguns deles só deu para ver o traçado, sem cara ou rosto singular. Ao morrermos somos apenas ancestrais, por vezes esquecidos, mas que ajudam a formar as gerações seguintes.