Artesanias Caiçaras

Artesanias Caiçaras Convênio realizado por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) com a Associação Mandicuera de Cultura Popular.

A caxeta, entre outras espécies de madeiras nativas da mata atlântica sempre foram utilizadas de modo racional pelas populações que ocupam tradicionalmente seus territórios. De utensílios a moradia e instrumentos musicais, os recursos naturais foram manejados pelas comunidades caiçaras de maneira a manter a fonte de suas existências, por várias gerações. Conhecimentos foram trocados e repassados,

circulando por meio da lógica de visitação impressa em nosso litoral, onde as fronteiras geo-políticas eram cortadas pelas redes de parentesco e compadrio. Com a chegada das legislações ambientais, em seus diferentes âmbitos, diversas comunidades foram retiradas de seus locais de origem, a maioria sem nenhuma condição para se instalar adequadamente em novas moradas. Nessa trajetória, no entanto, muitos desses conhecimentos mantiveram-se vivos nas práticas dessas comunidades, entre eles o fandango que, embora com o arrefecimento da lógica de mutirão, persistiu na memórias e nas mãos de seus tocadores. Registrado como patrimônio imaterial da cultura brasileira, o fandango e a construção de seus instrumentos são objetos do convênio realizado por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) com a Associação Mandicuera de Cultura Popular. O projeto “Artesanias Caiçaras: a sustentabilidade através da construção de instrumentos musicais” foi selecionado no Edital de Salvaguarda de Bens Registrados, viabilizado pelo Iphan. Convênio: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IphanGovBr
Realização: Mandicuera
Produção executiva: Fuá Produções e Bambaê Produções
Apoio: IFPR Campus Paranaguá, UFPR (Universidade Federal do Paraná)

14/07/2020

LEI DE EMERGÊNCIA CULTURAL ALDIR BLANC

Projeto Ô de casa convida o debate das Populações Tradicionais do Território Caiçara e o acesso a Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc

Nesta quarta-feira, 15/07, às 19h, acontecerá uma REUNIÃO ABERTA para debatermos e compartilharmos relatos sobre a situação frente a implementação da Lei Aldir Blanc nas localidades que integram o território caiçara (comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas do PR, SP e RJ).
Assuntos:
1) Atualizações sobre o panorama da Implementação da Lei Aldir Blanc.
2) Relatos locais sobre as atuações relativas a Lei e a situação da pandemia.
3) Encaminhamento das demandas das comunidades (Municipais e Estaduais).
A participação de grupos/coletivos/entidades é de extrema importância para auxiliar e desenvolver estratégias que atendam as diferentes realidades e manifestações em nossos territórios. Trata-se de um momento histórico para a cultura brasileira.
Através da Lei Aldir Blanc, será repassado R$ 3 bilhões para os estados e os mais de 5mil municípios brasileiros e sabemos das dificuldades de acesso a informação, burocratização e falta de atuação da gestão pública com a cultura em nossos municípios e estados.
Precisamos nos mobilizar para garantir que a maior quantidade de detentores de bens culturais imateriais e profissionais da cultura, tenham acesso a esses recursos.
Contamos com a sua presença!

Dia 15/7 às 19h Pelo Facebook Projeto Ô de Casa

O que circula com a distribuição de instrumentos musicais do projeto Artesanias Caiçaras vai além de sua materialidade: ...
31/10/2017

O que circula com a distribuição de instrumentos musicais do projeto Artesanias Caiçaras vai além de sua materialidade: com rabecas, violas, machetes, adufos e caixas seguem memórias, sonoridades, parentescos e afetividades. A decisão, pensada e debatida pela equipe, de quem os receberia tinha como objetivo dar conta de atender, da maneira mais ampla possível, as demandas de tocadores de todo o território caiçara. Assim receberam os instrumentos fandangueiros de grupos de todos os municípios articulados as ações realizadas a partir do Comitê Provisório de Salvaguarda do Fandango: Paranaguá, Iguape, Cananéia, Parati, Ubatuba e Guaraqueçaba. Também resultado destas ações, a 8ª Festa do Fandango Caiçara em Paranaguá, reuniu nos dias 18, 19 e 20 de agosto grupos e fandangueiros representantes de localidades destes municípios, em um encontro que contou com bailes de fandango, oficinas práticas, exposição fotográfica, lançamento de cd, mobilização caiçara, mesas e conferências. Apesar da cerimônia de distribuição dos instrumentos constar na programação do evento, poucos tinham ao certo quem receberia os instrumentos. Os instrumentos dispostos em linhas, ordenados por tamanho, compuseram o cenário do ritual de entrega. Em falas breves sobre o projeto, testemunhadas por técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) das Superintendências do Paraná e São Paulo, Patrícia Martins, Ary Giordani e Aorélio Domingues – integrantes da equipe do projeto - deram início ao evento. Ao lado do palco, atrás da caixa de som, a perspectiva permitia observar a euforia dos jovens fandangueiros que recebiam seus instrumentos. Sorrisos, afagos em rabecas e violas, comentários sobre a qualidade do som, brincadeiras com os camaradas. Agradecimentos, abraços. A viola, com machetaria de pena e flecha, produzida cuidadosamente para os indígenas, foi recebida de maneira entusiasmada. Jovens de Ubatuba e Paraty vibravam com o presente. Os registros fotográficos dizem um tanto da fartura impressa nas imagens, quase cinquenta instrumentos, em um encontro que diluiu fronteiras geopolíticas, constituindo outras formas de viver as geografias litorâneas entre Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, formas estas permeadas por práticas fandangueiras.

Fotos: Flavio Rocha
Texto: Janaina Moscal

Encerrando as ações do projeto, foi finalizada a meta de circulação e entrega dos instrumentos construídos ao longo de s...
27/10/2017

Encerrando as ações do projeto, foi finalizada a meta de circulação e entrega dos instrumentos construídos ao longo de sua execução. Nos dias 17 e 18 de setembro, as comunidades de Barra do Ararapira e Guaraqueçaba receberam bailes com fandangueiros de Paranaguá e de Guaraqueçaba. A circulação contou com a entrega dos instrumentos que não haviam sido distribuídos durante a Festa do Fandango Caiçara de Paranaguá. No sábado, o baile, de caráter comunitário, foi realizado em um salão improvisado na casa de um dos tocadores da Barra. Pela manhã, no domingo, o grupo seguiu até a sede do município de Guaraqueçaba, onde o baile foi feito no Mercado Público Municipal, com o apoio da prefeitura e dos grupos de fandango locais, tendo a participação de tocadores da Família Pereira, sendo prestigiado até mesmo pelo padre responsável pela paróquia. A realização destes bailes, assim como os da festa de Paranaguá, constituem a expressão ritual do que as práticas do fandango caiçara articulam – música, dança, cultura alimentar e relação com o ambiente – e que não se encerram no ensino-aprendizagem da construção de instrumentos, mas se espraiam no cotidiano, materializações, continuidades (e rupturas) da luteria caiçara.

Fotos: Flavio Rocha

No início deste mês, antes de participar da 8ª Festa do Fandango Caiçara  em Paranaguá, parte da equipe do Artesanias, e...
23/08/2017

No início deste mês, antes de participar da 8ª Festa do Fandango Caiçara em Paranaguá, parte da equipe do Artesanias, e colaboradores, foram à campo, conhecer um pouco mais sobre a caxeta, guiados por Urbano e Anísio Pereira.

Fotos: Flávio Rocha

Leia mais:

Mato, mangue, linhas e luas

Uma visita a campo para conhecer um caxetal em Paranaguá
A saída, programada para acontecer às oito da manhã, só se deu depois das 10 horas. Experientes e conhecedores do sítio onde iríamos, Anísio e Urbano Pereira avisaram que a maré baixa poderia encalhar até mesmo a voadeira que nos levaria até lá.
Seguimos, com o barqueiro Arilson, parnanguara “da gema”, espirituoso e bem humorado. Após a ilha de Amparo, a sinuosidade do caminho só cresce, e se estreita. Em um momento, a pequena voadeira é obrigada a parar e aguardar a maré encher. As prosas em torno da caxeta e da geografia caiçara seguem.
Cerca de meia-hora depois chegamos ao primeiro destino, em meio a vegetação do mangue. Além de Urbano e Aníso, estão parte da equipe do projeto e a engenheira florestal Jandaíra Moscal, que vem colaborando em conversas e debates, ainda iniciais, sobre o manejo da caxeta no litoral paranaense.
Já no início da trilha, Urbano nos mostras as primeiras caxetas, menores do que as que encontraremos, “mais pra dentro”. Algumas são selecionadas para serem medidas, todas são fotografadas. Seu Anísio fala de características da árvore: coloração (brancas e vermelhas), folhas, as que foram “labradas”, com pequenos cortes utilizados em remendos de embarcações e, especialmente, aquelas que lhe fazem brilhar seus olhos: “essa dava seis ou sete rabecas”.
As dinâmicas de corte, sempre referendados por luas e marés, propiciam a rebrota e a permanência dos caxetais que se formam mais pra dentro, no mato, sempre “de frente pra água”, como Urbano e Anísio reiteram. Em cerca de duas horas e meia de caminhada, seguimos ouvindo as narrativas de nossos guias, inclusive do tempo em que se explorava comercialmente a árvore, em grandes quantidades. Ainda é possível ver as marcas das “linhas” feitas para facilitar o transporte de toras e toras de caxeta, que ficavam empilhadas, aguardando para serem transportadas até Paranaguá. Entre memórias e saberes, a caminhada se encerra no sítio, permeadas por essas narrativas que mesclam conhecimentos sobre conservação ambiental, legislações e práticas tradicionais.

:: Foto :: Flavio Rocha
07/02/2017

:: Foto ::
Flavio Rocha

:: Fotos ::
Flavio Rocha

:: Fotos :: Flavio Rocha
20/12/2016

:: Fotos ::
Flavio Rocha

Foto: Flavio Rocha
20/12/2016

Foto: Flavio Rocha

:: Fotos ::
Flavio Rocha

:: Fotos :: Flavio Rocha
03/11/2016

:: Fotos ::
Flavio Rocha

:: Fotos :: Flavio Rocha
20/10/2016

:: Fotos ::
Flavio Rocha

Esta semana participamos da IV Semana Acadêmica de Luteria com a fala "A sustentabilidade do Fandango através da constru...
30/09/2016

Esta semana participamos da IV Semana Acadêmica de Luteria com a fala "A sustentabilidade do Fandango através da construção de instrumentos".
Um muito obrigada ao convite do curso de Luteria UFPR!

Entre os dias 26 e 30 de setembro, acontece a IV Semana Acadêmica de Luteria no Setor De Educação Profissional e Tecnoló...
22/09/2016

Entre os dias 26 e 30 de setembro, acontece a IV Semana Acadêmica de Luteria no Setor De Educação Profissional e Tecnológica da UFPR - SEPT.
O Artesanias Caiçaras estará presente com a mesa "A sustentabilidade do Fandango através da construção de instrumentos musicais", na quarta-feira, dia 28 de setembro, às 10h30.

Confiram a programação completa no evento da Semana!

A campanha para arrecadar fundos para o projeto As Marcas de Valadares está chegando ao final!Quem ainda não contribuiu ...
06/09/2016

A campanha para arrecadar fundos para o projeto As Marcas de Valadares está chegando ao final!
Quem ainda não contribuiu agora é a hora de dar essa força!

AS MARCAS DE VALADARES”: imagens, sonoridades e materialidades do fandango caiçara

Esta proposta de pesquisa artístico-cultural denominada está inserida dentro do Centro em Rede de Investigação em Antropologia - CRIA/Portugal. Seguindo um caminho de mão dupla, pretendemos levar uma exposição fotográfica resultado de pesquisa realizada no litoral do Paraná e de São Paulo, uma exibição comentada do documentário etnográfico "Trânsitos caiçaras em redes fandangueiras" realizado a partir de edital de fomento da Funarte/Minc no ano de 2012, e ainda realizar dois workshops, o primeiro com a temática da etnofotografia e o seguinte com a temática de técnicas de construção de violas e rabecas caiçaras. Em outra via, esta pesquisa pretende investigar espaços de produção e circulação da viola beiroa, instrumento que guarda um forte parentesco com a viola caiçara. Aliando registro audiovisual, etnográfico e de documentação sonora, estes encontros serão amplamente compartilhados por meios virtuais. O propósito de fundo desse projeto é realizar uma abordagem comparativa da produção e da prática musical relacionada às violas no contexto Brasil x Portugal.

Vamos colaborar?

Pesquisa de técnicas construtivas e musicais da viola caiçara, trocas e fomento de um diálogo entre artistas e pesquisadores brasileiros e portugueses.

Endereço

Ilha Dos Valadares, S/N
Paranaguá, PR
83203-000

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