19/03/2021
Excelente posição do Sepe em Petrópolis, na linha de frente das lutas!
Em defesa das vidas! Não ao retorno presencial das aulas!
É fato público e notório a crise sanitária vivenciada no mundo em decorrência da pandemia de COVID-19. No Brasil, já são quase 300.000 (trezentos mil) óbitos em decorrência do novo coronavírus. No Estado do Rio de Janeiro, este número já supera 35.000 (trinta e cinco mil), segundo dados oficiais, em Petrópolis, atingimos a triste marca de mais de 600 óbitos.
Diante de tal cenário, órgãos da saúde, guiados pelas orientações da própria Organização Mundial da Saúde (OMS), recomendam, desde o início da pandemia, a suspensão das atividades presenciais nas unidades escolares, indicando o isolamento social como necessário para conter ao máximo a proliferação do vírus. Tais recomendações, resguardadas pontuais atualizações, permanecem essencialmente as mesmas, diante do número impactante de novos casos; de internações e de óbitos em todo o país – tendo o Rio de Janeiro como um dos piores quadros nacionais.
As novas variações do COVID-19 e a super lotação das UTIs em todo o país e o eminente colapso no sistema de saúde, são mais um motivo para o não retorno presencial.
Por óbvio que o direito à educação é um direito constitucional, previsto e assegurado também em documentos de âmbito internacional, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Aqueles e aquelas que dedicam suas vidas à educação, no chão das escolas, conhecem bem o papel transformador e emancipatório do ensino. Contudo, o momento exige cautela. Pois, torna-se difícil a tarefa de se invocar o direito à educação quando os desafios giram em torno, principalmente, de preservar o direito à vida – o que inclui, não só medidas como a manutenção das atividades remotas, mas políticas que assegurem a subsistência e o direito dos trabalhadores e suas famílias permanecerem em segurança neste momento.
Felizmente, inobstante o negacionismo e o anticientificismo que ronda o mundo, o ano de 2021 iniciou com uma boa notícia por parte da ciência e da pesquisa acerca da eficácia das vacinas contra o vírus. Ainda assim, o Brasil vacina de forma tímida, atingindo pouco mais de 5% da sua população vacinada e a falta de um plano de vacinação nacional responsável, ef**az e em massa.
Ninguém mais do que os profissionais da educação – das redes pública e privada – e os responsáveis do corpo discente para sonharem e desejarem o retorno às aulas, desde que esse retorno não implique em riscos reais à integridade, à saúde e à vida da comunidade escolar e de outras milhares de pessoas que estão envolvidas e em contato, diretamente ou indiretamente, com o funcionamento escolar. Vale mencionar que o retorno às atividades presenciais implica não só no contato contínuo de centenas de pessoas nas salas de aula de cada escola e centro de educação infantil, mas também em logísticas que envolvem as condições sanitárias adequadas para alimentação e o deslocamento entre a residência e a unidade escolar, outros Estados e municípios que optaram pelo retorno presencial, sofrem agora com o aumento de mortes entre profissionais da educação e pais de alunos.
Ademais, importa salientar a existência de um Grupo de Trabalho, constituído e composto por representantes do Poder Executivo, através da Secretaria Municipal de Educação de Petrópolis, e por representantes dos profissionais da educação básica e superior e da sociedade civil, que já vem, desde o ano passado, pensando, estruturando e planejando, com base nas orientações oficiais dos órgãos da saúde (em âmbito municipal, estadual e nacional) e demais instituições que se encontram na linha de frente do combate ao coronavírus, um retorno seguro às atividades, quando este for adequado e assim permitirem as circunstâncias do momento.
Assim, subscrevem essa carta as entidades representativas, os profissionais da educação, pais e petropolitanos, que, em defesa da vida, desejam que o retorno às atividades presenciais nas unidades escolares ocorra em consonância com um plano de vacinação no âmbito do município de Petrópolis e somente quando estiverem presentes as condições sanitárias adequadas, com aval dos órgãos de saúde e com o devido empenho do Poder Público em garantir a segurança e a integridade de todas e todos os envolvidos – de profissionais da educação aos responsáveis, alunos e seus respectivos familiares.
O SEPE - Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, está em constante diálogo com poder público para garantir que as ações acima abordados sejam de fato aplicadas. Levaremos esses apontamentos ao poder executivo municipal e assim que tivermos retorno divulgaremos.
Sejamos aqueles e aquelas que, amanhã, terão a consciência de que investiram seus esforços pela preservação da saúde e da vida. Pois, como sabemos, superado esse momento, as aulas retornam e a aprendizagem se recupera. Vidas não.
Por nossas vidas!
Não é hora do retorno presencial!
Vacina já!
Sepe - Petrópolis.
18/03/2021