03/09/2018
Em artigo publicado no último domingo (02), o médico Dráuzio Varela alerta para os riscos que o Brasil corre com os altos índices de infecção por HIV atrelados ao ataque às campanhas de prevenção por parte de grupos conservadores e/ou religiosos. Destacamos alguns pontos:
"Em 1995, a prevalência do HIV em nosso país era idêntica à da África do Sul, que não adotou a mesma política. Hoje, 10% da população adulta daquele país está infectada. Se o mesmo tivesse acontecido conosco, teríamos cerca de 18 milhões de brasileiros HIV-positivos.
Hoje, além do tratamento precoce dos infectados, o SUS oferece medicamentos para prevenir a transmissão (PrEP) e para a profilaxia pós-exposição (PEP).
Paradoxalmente, entretanto, relaxamos na educação. As campanhas públicas pelos meios de comunicação de massa desapareceram, a educação sexual nas escolas enfrenta barreiras impostas por religiosos, pelos moralistas das horas vagas e por grupos de conservadores medievais.
O Brasil que inovou ao implementar medidas ousadas de combate à Aids, que serviram de exemplo aos países da África, Ásia e Américas, agora cruza os braços diante da nova onda de infecções que atinge os mais jovens."
Corria o ano de 1981. Num almoço na casa do cirurgião Fernando Gentil, em homenagem a Joseph Burchenal, um dos mais destacados oncologistas americanos da época, ouvi falar pela primeira vez de uma doença estranha que debilitava o sistema imunológico. O doutor Burchenal contou que, num