04/02/2019
ANESTESIA DO NERVO ALVEOLAR INFERIOR
O bloqueio do nervo alveolar inferior é a técnica de injeção mais importante na odontologia. No entanto, esta técnica apresenta elevada taxa de insucessos clínicos, mesmo quando administrada corretamente. Em casos em que se faz necessário a anestesia dos tecidos moles na região posterior da boca, é importante um bloqueio suplementar, do nervo bucal. Esta técnica é indicada para procedimentos em múltiplos dentes mandibulares em um quadrante.
TÉCNICA
Recomenda-se o uso de uma agulha dentária longa de calibre 25 ou 27. A inserção é na membrana mucosa do lado medial do ramo da mandíbula, na interseção de dois pontos. O ponto 1 se localiza ao longo de uma linha horizontal da incisura coronoide até a parte mais profunda da rafe pterigomandibular, no ponto em que ela ascende verticalmente; o ponto 2 se situa numa linha vertical através do ponto 1, a aproximadamente ¾ da distância da borda anterior do ramo da mandíbula. Deve-se preparar o tecido na área da injeção, secando com gaze estéril e aplicando o anestésico tópico. Depois disso, posicionar o corpo da seringa no canto da boca no lado contralateral, aproximadamente na região de premolares. Para determinar a profundidade da penetração, deve-se constatar o contato da agulha com o osso, avançando lentamente até sentir que houve uma resistência óssea. Depois disso, retrair aproximadamente 1mm a fim de evitar a injeção subperiosteal. Agora deve se fazer a aspiração em dois planos; caso a aspiração seja negativa, deve-se depositar lentamente 1,5 ml de anestésico. Em seguida, retirar lentamente a seringa e aspirar novamente quando aproximadamente metade de seu comprimento permanecer no tecido. Caso a aspiração seja negativa, deposite parte do restante da solução para anestesiar o nervo lingual. Por fim, retirar a seringa lentamente e tornar a agulha segura e aguardar de 3 a 5 minutos antes de testar quanto à anestesia pulpar.
FALHAS NO POSICIONAMENTO
Há dois casos comuns em que há erro no posicionamento da inserção da agulha. Se houver contato com o osso cedo demais, isto é, menos da metade do comprimento da agulha, isso indica que a agulha está deslocada anteriormente no ramo da mandíbula. Para corrigir, deve-se retrair um pouco a agulha, mas não retirá-la do tecido; deslocar o corpo da seringa mais para a frente da boca, próximo ao canino do lado contralateral; redirecionar a agulha até obter uma profundidade de inserção mais adequada. No caso de não haver contato da agulha com o osso, é devido a localização mais posterior da agulha. Para corrigir, deve-se retirar a agulha até ¼ de seu comprimento e reposicionar o corpo da seringa mais posteriormente do lado contralateral, isto é, próximo aos molares e redirecionar a inserção da agulha até haver o contato com o osso a uma profundidade apropriada.
Texto por: Pedro Antunes
Referência: Manual de anestesia local/ Stanley F. Malamed – 6ª edição