Criei esta página com o objetivo de promover as OFICINAS teatrais que produzo no Rio de Janeiro. A produção das minhas oficinas está inserida numa rede de atividades pedagógicas bem mais articulada, coerente com minha formação e com uma certa forma de viver e de fazer teatro. Há inúmeros teatros possíveis para inúmeros artistas possíveis para inúmeros espectadores possíveis. Há uma infinidade de d
esejos e necessidades. Há feridas e valores muito diferentes. Há tribos e praias distintas no caleidoscópico multiverso do teatro. E, graças aos bons deuses, tem teatro para todo mundo. Esse aqui é meu cantinho...
Não produzo qualquer oficina. Não produzo quem não conheço. E me dou o luxo de produzir apenas o que tenho vontade de fazer, o que, para mim, é território fértil para lançar semente, para fazer florir. Só produzo o que tenho orgulho de compartilhar com os outros. O espaço das oficinas é, para mim, um espaço sagrado de encontro, de troca, de afeto – porque nos afeta. É um espaço onde se despir do dia a dia para experimentar, para errar, para descobrir e/ou redescobrir o que a memória ou a correria do cotidiano e da luta pela sobrevivência nos fez esquecer. Ou para relembrar o que nem sabíamos já nos pertencer. Fiz muitos cursos de TEATRO, DANÇA e CANTO no Brasil e no exterior, a maioria nos 12 anos em que morei na Europa, sobretudo na Itália, entre 1993 e 2005. Aprendi que “fazer teatro” não é apenas estar em cena, é também participar de oficinas, laboratórios e residências onde “trabalhar sobre si mesmo” usando as ferramentas que o universo das Artes Cênicas nos disponibiliza. A densidade demográfica do povo do teatro, por isso, não pode ser medida apenas pelo número de atores-performers que têm registro formal ou que representam personagens num palco ou diante das câmeras. É constituída também por uma série de “atores fantasma” que, através do teatro, buscam o modo de encarnar. Como se vivenciassem um processo contrário, procuram o teatro para se despir das máscaras sociais e para ser, finalmente, si mesmos. “Contraria sunt Complementa”. As oficinas que produzo acolhem esses dois povos, quem veste personagens e quem se despe deles. Para ser mais clara: falo desse número enorme de pessoas que, mesmo tendo outros ofícios, mesmo sendo atores bissextos ou mesmo habitando os bastidores do teatro ou da academia, insistem em fazer oficinas, insistem em “fazer teatro”. As ferramentas utilizadas pelos artistas que trago ao Brasil ou ao Rio são úteis em ambos os casos. Mas todo o trabalho desenvolvido através desses encontros-oficina se dá pelo CORPO. Há quem chame isso de “teatro físico”. Mas confesso que eu me pergunto: qual teatro não seria “físico”? Promovo o trabalho do corpo-mente do ator, do “querer o que se faz e do fazer o que se quer”. Invisto na presença e na escuta, na inteligência e na criatividade de quem atua, de quem age, de quem faz a cena. Nessas oficinas a gente canta e a gente dança. A gente se olha e a gente se toca. A gente sofre, mas a gente também se diverte. A gente se co-move. Os artistas que conduzem minhas oficinas são rigorosos, querem disciplina, mas também são profundamente humanos. Se não fosse assim, para mim não valeria a pena. Não fazemos leitura de mesa ou análise da psicologia de personagens. Nós investigamos as infinitas possibilidades desse corpo-mente do ator-dançarino-bailarino-cantor-performer para que – em cena ou fora de cena – ele seja mais consciente do seu potencial humano e artístico. Para que ele seja tudo o que pode ser. Para que não deixe nunca de sonhar. Mas para que ele também aprenda a dar seus passos com seus próprios pés. Ou para que descubra sua dança e aprenda, por sua vez, a voar.
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Além das OFICINAS que produzo, também divulgarei oficinas que serão conduzidas por artistas-pesquisadores-pedagogos nos quais acredito e cujo trabalho eu conheço diretamente – ou por ter participado de suas oficinas ou por conhecer de perto suas investigações teórico-práticas. Não divulgarei o que não conheço. Também divulgarei TEXTOS, PALESTRAS, CONGRESSOS e ENCONTROS que ofereçam oportunidades de reflexão sobre a “dramaturgia do ator”, sobre sua formação e seu ofício. Finalizo manifestando minha profunda admiração e respeito por todos esses missionários do palco, esses loucos do ofício, esses delirantes fantasmas da cena que – apesar dos pesares e num mundo que corre cada vez mais rápido na direção do poder e do dinheiro – nadam contracorrente e dedicam seu TEMPO a uma arte tão efêmera e desvalorizada por acreditar que ela ainda vale a pena, por acreditar que ATOR e ESPECTADOR ainda podem, realmente, se encontrar. Por acreditar que, no protegido ambiente de uma sala de trabalho, ainda é possível tirar a máscara e encontrar a si mesmo no outro, e o outro em si mesmo. Se não fosse por tudo isso, eu não produziria essas oficinas. Eu não empurraria até o mar para criar ilhas dentro de oceanos invisíveis. Ainda mais no Rio de Janeiro.
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PATRICIA FURTADO DE MENDONÇA
Atriz, Professora e Pesquisadora, Tradutora e Intérprete, Consultora e Produtora de Projetos Teatrais. Mestre em Teatro pela UNIRIO e graduada em “Artes, Música e Espetáculo” pela Faculdade de Letras e Filosofia da Universidade de Bolonha, Itália, com ênfase em “Artes Cênicas”. Atua na interface entre TEATRO – ARTES – SUSTENTABILIDADE, dando aulas e palestras ou escrevendo artigos sobre: “O Treinamento do Ator”; “Antropologia Teatral & Odin Teatret”; “Arte & Natureza”, “Nossas Memórias Marinhas”; etc. Começa sua formação de atriz no Rio de Janeiro em 1986, frequentando cursos nas mais importantes escolas teatrais da cidade. É contratada como atriz da Rede Globo entre 1991-92, participando da novela “Pedra sobre Pedra” e de vários outros programas da emissora. De 1993 a 2005, enquanto mora na Europa, sobretudo na Itália, estuda com Mestres de Teatro, Dança e Canto de vários países ocidentais e orientais (ver nomes ao final), aprofundando seus estudos práticos e teóricos sobre a "DRAMATURGIA DO ATOR" e o "TRABALHO DO ATOR SOBRE SI MESMO". Dedica-se também ao estudo da expressão corporal e à prática do movimento consciente com bailarinos e terapeutas corporais. Em 1997, encontra o diretor teatral italiano Eugenio Barba e passa a seguir regularmente vários workshops e encontros internacionais promovidos pelo Odin Teatret, como a ISTA (International School of Theatre Anthropology). A convite de Barba, em 1998, torna-se sua tradutora oficial para o português, sendo a responsável pela tradução de inúmeros artigos e livros do diretor italiano, entre os quais a última edição do livro A ARTE SECRETA DO ATOR (É Realizações, SP, 2012). Desde 2009, conduz uma pesquisa sistemática sobre a relação do Odin Teatret com o Brasil, colaborando estreitamente com as investigações do Centre of Theatre Laboratory Studies e do Odin Teatret Archives (OTA), ambos com sede na Dinamarca. Por isso, no Brasil, tornou-se referência para vários projetos realizados com o Odin Teatret e sobre a Antropologia Teatral, inclusive escrevendo diferentes artigos sobre esses temas. Também é tradutora do livro At Work with Grotowski on Physical Actions, de Thomas Richards (Ed. Perspectiva, SP, 2012) e da nova versão do texto Performer, de Grotowski, que será publicado em breve pela e-revista Performatus. No Brasil, entre 2005 e 2009, dedica-se à consultoria e à coordenação de uma série de programas culturais e educacionais nas áreas de Responsabilidade Social/Sustentabilidade e Desenvolvimento de Pessoas, colaborando com ONGs, Empresas e Governo. Paralelamente, de 2005 até hoje, atua em diferentes projetos na área de Teatro e Cultura, ministrando palestras e cursos em universidades e festivais, escrevendo e traduzindo artigos sobre as artes cênicas, produzindo oficinas e espetáculos, prestando consultorias a artistas e grupos teatrais, entre os quais: Odin Teatret (Dinamarca), Teatro delle Albe (Itália), Workcenter of Jerzy Grotowski and Thomas Richards (Itália); Teatro Varasanta (Colômbia), Lume Teatro (Brasil-Campinas) e Grupo Moitará (Brasil-Rio de Janeiro). Alguns artistas-pedagogos brasileiros com os quais estudou:
Ricardo Kosovski, Hamilton Vaz Pereira, Mirian Muniz, Eduardo Wotzik, Antunes Filho, Stephane Brodt e Ana Teixeira (Amok Teatro), Carlos Simioni e Ana Cristina Colla (Lume Teatro) etc. Alguns artistas-pedagogos estrangeiros (teatro, dança e canto) com os quais estudou:
Ariane Mnouchkine (França), Yoshi Oida (Japão), I Made Djimat (Bali), Andrej Serban (Romênia), Fe Reichelt (Alemanha), Mitsuru Saasaki (Japão), Titos Sompa (Congo), Antonio Fava (Itália), Rena Mirecka (Polônia), Maud Robart (Haiti), Marcel.li Antunez Roca (Espanha), Mario Biagini (Itália), Lina della Roca (Itália), Riccardo Caporossi (Itália), Navid Mizradeh (Irã), Ragunat Panigrahi (Índia), Claude Coldy (França), Fernando Montes (Colômbia), Odin Teatret (Dinamarca), Alejandro Tomás Rodrigues (Argentina), entre outros.