28/05/2020
A Educação Física e o esporte de base: perspectivas para o futuro – Parte II
Por Silvestre Cirilo
Na primeira parte do texto eu falei sobre a falta de discussão em termos pedagógicos na atuação da educação física nesse atual momento. Essa situação acaba acarretando em uma disrupção no processo esportivo como um todo.
Assim, além da falta de diretrizes para os professores de educação física (que está tendo que se reinventar neste momento, ao mesmo tempo em que corre um sério risco, quando instado a passar atividades práticas aos seus alunos), vemos o esporte como o conhecemos hoje sofrer uma séria ameaça: ter uma geração perdida.
É muito provável que nos próximos dois anos (segundos os especialistas) passemos por um período no qual o fluxo de entrada de atletas na base seja diminuído. Você deve estar se perguntando o porquê disso? Então deixa eu te contar um detalhe sobre o assunto.
Diante das incertezas pedagógicas, é certo que a disciplina educação física adote uma postura conservadora dentro das suas aulas. E, esta postura acabará por direcionar as aulas para atividades que busquem um distanciamento maior. Para práticas esportivas sem contato. Basicamente aqueles esportes com quadra dividida e, com o menor número possível de alunos.
Ou seja, é muito provável que nos próximos anos tenhamos um maior número de atividades envolvendo os esportes individuais e, com um menor tempo de prática. Em vias gerais, poderemos ter uma geração com mais lacunas na sua formação esportiva do que aquelas já vistas atualmente.
Talvez você saiba, talvez não. Mas, as condições de prática da educação física estão longe de ser a ideal em boa parte do nosso território. E, dependendo da região em que você more, haverá a falta de clubes, ou projetos que promovam o esporte de base. Assim, o que já não é tão bom, tende a f**ar pior.
E por que tende a f**ar pior? Com a pandemia, é público e notório a diminuição na capacidade de investimento das instituições (seja pública ou privada). Já vemos vários clubes tradicionais fecharem as suas equipes. Logo, existe uma lógica de fechamento das vagas nas escolinhas de iniciação e equipes de base. Os municípios, por tradição e características próprias, tendem a focar nos esportes coletivos.
Por outro lado, abre-se uma oportunidade para os esportes individuais se desenvolverem e, se consolidarem no cenário esportivo nacional.
Porém, para que possamos criar uma oportunidade, pensando em termos de uma formação mais sólida dessa base, se faz necessária a formulação de estratégias sólidas para o curto, médio e longo prazo.
Por fim, e como não poderia deixar de ser, toda esta reflexão traz questionamentos. Como mudar a nossa cultura em relação aos esportes coletivos? Como incentivar os alunos para a prática de esportes individuais? Como as instituições pensarão nessa estratégia? Como fomentar os esportes individuais, para que eles se tornem, de fato, esportes de massa? E, por último, talvez o mais importante questionamento: quem irá pensar nisso tudo?
Vamos ao debate!
Fiquem em casa! Se Cuidem!