04/10/2026
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Há pouco tempo, falar de câncer de mama em um congresso signif**ava, quase sempre, falar de diagnóstico, cirurgia e tratamento.
Felizmente, esse olhar está mudando.
Na 22ª Jornada Paulista de Mastologia, fiquei especialmente feliz em ver o SURVIVORSHIP ganhar espaço, voz e protagonismo.
Foram dois cursos pré-congresso dedicados ao Cuidado Integral e ao Cuidado Pós-Tratamento, além de uma mesa excepcional sobre Cuidado Integral, Pós-Tratamento e Espiritualidade, da qual tive o privilégio de participar como debatedora.
Falamos sobre temas que até pouco tempo ocupavam pouco espaço nos grandes encontros científicos: saúde metabólica e óssea, sarcopenia, sexualidade, as marcas deixadas em quem cuida, cuidados paliativos e espiritualidade.
Isso diz muito sobre a transformação que estamos vivendo na assistência oncológica.
Hoje temos um número de sobreviventes de câncer sem precedentes, resultado dos avanços no diagnóstico e, sobretudo, da evolução dos tratamentos.
E essa conquista traz uma nova responsabilidade: não basta tratar mais e melhor o câncer. Precisamos cuidar melhor de quem vive depois dele.
Tenho direcionado uma parte importante dos meus estudos e do meu trabalho justamente para essa fase da jornada. Porque o fim do tratamento ativo não signif**a o fim das necessidades de cuidado.
Há um corpo que mudou.
Há efeitos tardios a prevenir e tratar.
Há sexualidade, saúde óssea e metabólica, saúde emocional, relações, trabalho, projetos, espiritualidade e qualidade de vida.
Há uma mulher que precisa reconstruir sua vida para além do diagnóstico.
Talvez esse seja um dos grandes desafios da oncologia contemporânea: depois de tantos avanços para aumentar a sobrevivência, precisamos avançar igualmente na forma como cuidamos da vida que continua.
Que bom ver a Mastologia ampliando esse olhar.
Porque, no final, o centro do nosso cuidado nunca deveria ser apenas a doença.
É a pessoa. É a mulher. É a vida depois do câncer.