28/03/2025
“Eu sentia e sabia que não poderia deixar de fazer alguma coisa sobre o Oficina naquele momento. Pensei numa exposição que registrasse o impacto da obra de José Celso que, durante esses 50 anos, vem criando e recriando a cultura brasileira. (…) Como falar de Zé Celso, do Oficina? (…) Havia coisa demais a ser dita. Montagens que revolucionaram o universo cultural do país. Caminhos agitados que falam de grandes montagens, sucessos, polêmicas, invasões, incêndios, prisões, lutas violentas por território. (…) Brigando sempre pela experimentação radical que desestrutura, transforma, que se mistura com a rua, com a multidão. Laboratório de mergulho nas origens, impõe o desejo como instrumento de criação, o corpo e a dança como funcionalidades primeiras. Criticado pela esquerda, censurado pela direita, a verdade é que ninguém da minha geração escapou do efeito Oficina. Do talento espantoso do poeta Zé Celso. Sou prudente. Chamei Camila Mota Lucas Weglinski – que se constituíram como as vozes do Oficina – e Alberto Renault – peça central desse projeto –, e começamos a pensar juntos. O título da exposição veio nos primeiros cinco segundos de jogo. Foi fácil. O conteúdo veio da lembrança de Camila da imensa documentação audiovisual, textual e iconográfica produzida desde o início do grupo por Zé e pelas equipes e elencos do Oficina e nunca tornada pública. Vídeos e filmes inteiros ainda desconhecidos. Cadernos de campo, belíssimos e densos, manifestos, documentos… Ou seja, o processo de criação e de luta do Oficina em cena aberta. Percebemos a urgência de mostrar esse material. Foi o que decidimos fazer.”
É o que decidimos fazer! Heloísa, já estamos com 66! Encontrar com sua escrita-tecido-tão-vivo, agora, nos dá força e fôlego pro muito que ainda iremos fazer. Nesse momento da virada entre mundos, você nos lança uma flecha certeira em direção à ancestralidade desse chão: teatro oficina sem coxia, em cena aberta, na ágora pública!
VIVA a brilhante e generosa feminista, pensadora, investigadora inquieta de toda a matéria vida, Heloísa Teixeira! VIVA sua genialidade feroz e afiada, aberta, quente e coletiva.
TE CELEBRAMOS