29/10/2025
Nós, da Coletiva Africanidades, viemos a público manifestar nosso mais profundo repúdio ao que vem acontecendo no estado do Rio de Janeiro. Escurecer os fatos é imprescindível para que a desinformação e o senso comum não continuem alimentando o ódio contra quem vive nas comunidades.
O que ocorreu nos Complexos da Penha e do Alemão está longe de representar uma operação eficaz contra o crime organizado. O que está em curso é a necropolítica em sua forma mais brutal.
Segundo Achille Mbembe, a necropolítica é o poder de decidir quem pode viver e quem deve morrer, um instrumento do Estado (e de outros agentes) que estende o controle da biopolítica sobre a vida para o domínio da morte. Essa política se revela nas práticas que destroem corpos e submetem populações inteiras, como o racismo estrutural, a violência policial nas periferias e a desigualdade no acesso a direitos básicos como saúde, educação e saneamento.
A mais recente operação no Rio de Janeiro, a mais letal da história do estado, resultou em mais de 130 mortos, corpos esses resgatados pelos próprios moradores das comunidades. Apesar do discurso oficial de que a ação foi “amplamente planejada”, a realidade mostra outra coisa: essa estratégia apenas aprofunda o derramamento de sangue, e o sangue derramado tem cor e classe.
O que se vê não é combate ao crime, mas o extermínio sistemático da população preta e pobre. Famílias, crianças e pessoas inocentes sofrem por simplesmente serem quem são, por morarem onde moram e por terem a pele preta.
Nós, da Coletiva Africanidades, dizemos com toda força:
BASTA DE NOS MATAR!