21/08/2023
“As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” (1 Coríntios 2:9)
Essa passagem quando tomada isoladamente, pode facilmente levar o leitor a uma conclusão muito distante da ideia do hagiógrafo (autor bíblico - no caso Paulo de Tarso). Nas palavras de Warren Weirsbe:
“Este versículo é usado com frequência em funerais e aplicado ao céu, mas sua aplicação principal diz respeito à vida do cristão hoje” (WEIRSBE, 2017, p. 751).
Em outras palavras, geralmente a tendência é achar que essa passagem está falar das maravilhas do céu, coisas tão encantadoras que nunca os nossos olhos viram, nem os nossos ouvidos ouviram, muito menos subiu ao nosso coração. Formidáveis e espantosas, assim são as coisas que vamos encontrar lá no céu.
Pese embora seja verdade que no céu haveremos de encontrar grandes maravilhas que nunca sequer poderíamos imaginar, essa passagem especificamente não está a tratar disso. Você pode estar surpreso, e se interrogando: mas então a passagem está a falar de quê? Essa passagem está a falar de CRISTO. As coisas que dizem respeito à Jesus Cristo é esse “mistério” que nunca se tinha visto, ouvido ou cogitado no coração “mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (1 Coríntios 2:10).
Desde o verso 1 Paulo vai explicando aos irmãos que sua preocupação era única e exclusivamente apresentar Jesus (v.2). No verso 6 ele mostra que essa mensagem era desconhecida/misteriosa. Nos versos 7-8 ele explica que absolutamente ninguém fazia a remota ideia desse mistério, dado que “se a conhecessem, nunca crucificariam ao SENHOR da glória” (v.8 )
Por fim, Paulo recorre ao texto de Isaías 64:4 e faz uma “citação adaptada” (KEENER, 2014, p. 465) e aplicando-a para Cristo.
Resumindo:
a) 1 Coríntios 2:9 não está a falar do céu/paraíso
b) 1 Coríntios 2:9 é uma continuação do pensamento de Paulo.