Colégio Progresso,Ciências Humanas 12Classe. 2020

Colégio Progresso,Ciências Humanas 12Classe. 2020 Estudantes e pesquisadores de conhecimento científico

13/01/2021

GUIA DE ESTUDO DE GEOGRAFIA
1) Define a Agricultura segundo Ca stro Caldas
R: A agricultura é uma actividade económica orientada no sentido da produção de bens alimentação as indústrias obtidas a partir a deplantação de animais por intermédio de transformação biológica e tecnológica.
2) Qual é a diferença que existe entre o espaço agrário e o espaço rural?
R: Espaço agrário é a área ocupada pela produção agrícola e o espaço Rural constitui no domínio das actividades pastóricas e floresta
3) Como é feita os sistemas de cultivo da agricultura tradicional?
R: O sistema de cultivo da agricultura tradicional; Agricultura itinerante; a piscicultura tradicional.
4) Porque é que a guerra é um dos factores que influencia na agricultura?
R: A guerra é um dos principais factores que influenciam na agricultura porque a população vai-se deslocar uma região para outra no país não haverá uma boa agricultura, e a guerra nunca foi bom num país.
5) Porque é que se diz a Agricultura é a base do desenvolvimento do país?
R: Diz-se que a agricultura é a base do desenvolvimento porque 70% da população mundial depende da agricultura e é a base da economia do país.
6) Cita algumas características de agricultura tradicional
 Utilização de técnicas agrícolas rudimentares e artesanais enxadas, o arado.
 Fraca mecanização
 Baixa produção
 Usos de fertilizantes naturais
 Fraca protecção das plantas contra as pragas
 Policultura extensiva
7) Cita algumas principais características da agricultura moderna:
 A população agrícola é pouca numerosa com elevado nível de qualif**ação profissional
 Utiliza técnicas avançadas
 Utiliza fertilizantes químicos, que permite obter melhores colheitas e uma produtividade abundante.
8) Em que século e o ano foi usado pela primeira vez a palavra Demografia?
R: A palavra Demografia foi usado pela primeira vez no século XIX, isto é em 1855 pelo francês chamado Achille Guillard.
9) Em que século surgiu a palavra Demografia?
R: A palavra Demografia surgiu no século IX.
Domingos Kiakanua Júnior

13/01/2021

I. Introdução
Angola viveu um longo período de guerra que teve o seu culminar em 2002 com a assinatura do Memorando de Entendimento entre as partes em conflito. Para os milhares de angolanos que durante todos estes anos viveram este martírio, depois de 4 de Abril nada deveria ser como antes porque a Paz veio para f**ar, apresentando-se para todos o grande desafio da reconstrução nacional, da caminhada para um exercício democrático mais inclusivo.
Transcorridos três anos desde a assinatura do cessar-fogo e a sociedade ainda não encontro a estabilidade sonhada. O longo período de guerra, e as dificuldades para dar resposta aos desafios da reconstrução em tempo oportuno encaminharam o país para uma complexa variedade de problemas nos vários sectores da vida nacional provocados, quer pela desigualdade no acesso aos recursos, pela ausência de políticas sociais que protejam os mais desfavorecidos, pela intolerância política como pelo fraco exercício democrático, tornando-se por isso a sociedade propensa a conflitos.
São muito poucas as organizações em Angola que se ocupam especif**amente da problemática da gestão de conflitos, assim como existe muito pouca informação específ**a sobre este tema. Sob os auspícios da FES realizou-se no período de 06 a 26 de Maio de 2005, um pequeno estudo nas províncias de Luanda, Huambo e Malange com o objectivo de aprofundar os conhecimentos sobre conflitos e suas causas; conhecer as actividades de outros actores neste domínio e criar um conjunto de pressupostos que garantam a elaboração de programas a identif**ação e acompanhamento de conflitos.
Para o efeito foi constituída uma equipa de três consultores que teve como principais tarefas a consulta a parceiros da FES com o fim de determinar as áreas de potencial conflito cujo interesse é prioritário; Identif**ar e decidir sobre os locais para realização do estudo, realizar o estudo nas províncias seleccionadas e socializar dos resultados preliminares com os parceiros da FES.
A selecção das províncias obedeceu aos seguintes critérios:
¾ Áreas potencialmente conflituosas pela concentração de diversos grupos;
¾ Áreas cujo eleitorado nas eleições de 92 foi maioritariamente da UNITA ou do MPLA.
As áreas de potencial conflito consideradas prioritárias foram as seguintes: Democratização/Processo eleitoral; Reconciliação e reinserção; Exclusão económica e social/pobreza e corrupção; Acesso a Terra.
Durante as entrevistas realizadas as pessoas manifestaram interesse em receber uma pequena síntese dos resultados do estudo razão pela qual se pensou em produzir esta pequena brochura, esperando que possa contribuir de alguma forma para um melhor conhecimento da problemática da gestão de conflitos em Angola.
1.1. Entrevistas realizadas por província
Tendo em conta os objectivos do estudo e as áreas de potencial conflito condideradas como prioritárias decidiu-se que a informação a recolha da informação deveria ser feita a vários níveis (provincial e municipal) e abranger uma considerável diversidade de actores entre OSC, Instituições do Estado, autoridades tradicionais, ONG’s internacionais, partidos políticos, instituições religiosas e cidadãos.
II. Os resultados do estudo
A apresentação dos resultados do estudo foi organizada as áreas de potencial conflito em análise procurando ser o mais fiel possível a informação obtida a partir das entrevistas realizadas nas províncias seleccionadas complementada com as contribuições feitas por alguns parceiros durante a apresentação dos resultados preliminares e a consulta a informação disponível sobre os temas seleccionados.
2.1. Democracia e impacto do processo eleitoral
Desde a data da Independência (1975) até ao final da década de 80 a sociedade angolana viveu sob um regime moldado na base da teoria marxista – leninista, o que provocou uma forte luta de resistência contra o regime perpetrada pela UNITA. Com a assinatura dos acordos de Bicesse em 19911, Angola vive um período de paz e são realizadas as primeiras eleições legislativas sob os auspícios das Nações Unidas. Durante esse período foi elaborada a segunda Lei Constitucional de Angola que garantia a entrada de Angola na economia de mercado, criava as condições para a instauração de um regime multipartidário assim como o alargamento dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos dos quais interessa destacar os direitos políticos. Os resultados eleitorais fizeram com que o país emergisse numa outra guerra que se arrastou até Abril de 2002, altura em que foram assinados os Acordos Paz no Luena. Esta situação fez com que um considerável número de cidadãos não pudesse fazer uso dos direitos políticos na sua plenitude.
No âmbito da democracia a maioria dos entrevistados reconhece ter havido muitos avanços no processo de construção mas vêem-na com alguma apreensão e como um objectivo por atingir uma vez que a democracia não é extensiva a todas as províncias. Ela vai diminuindo do centro (capital nacional e provinciais) para a periferia (província, município, localidade). Esta situação é mais preocupante a nível provincial, já que a aplicação das regras democráticas é fortemente influenciada pela percepção de quem detém o poder, pelo grau de abertura democrática e pelo deficiente convívio na diferença. As feridas de guerra ainda prevalecentes e difíceis de gerir pelas pessoas mais afectadas (perca de familiares, de bens, mutilações,…), a fidelidade, gratidão ao partido no poder por tê-los protegido durante a guerra e o receio de represálias proporciona um clima de intolerância política (principalmente no meio rural) e a limitação da livre expressão. Os Partidos Políticos da Oposição (PPO) representados em algumas províncias, têm dificuldades em trabalhar nas aldeias, localidades.
“Muitas pessoas têm medo de perder o emprego caso mostrem simpatia por um outro partido.” (Hbo)
“Quando estás num caminho e a cobra te pica é difícil esquecer onde a cobra te picou. Sempre que passares vais-te lembrar.”(Mje)
“A UNITA não consegue fazer isso. Tem que trabalhar muito para apagar a “má” imagem que tem junto das populações ligada ao temor. Até mesmo as populações que estiveram com a UNITA durante a guerra têm medo.”(ONG/Mje)
“ Não receberemos nenhum PPO porque somos de um único partido.”(Soba Mge)
“Os PPO terão muitas dificuldades em se inserir nos municípios, principalmente em Malange e na Lunda Sul por causa das populações serem muito ligadas ao MPLA, ligação que remonta da luta de resistência colonial.”(Mge)
“ Os PPO são bem recebidos uma vez que estão autorizados pelo governo. Mas o povo tem receio de ser mal visto. Quando aparecem problemas são os primeiros a serem procurados.”(Hbo)
Um considerável número de entrevistados considera que o clima de intolerância política é algo incitado pelo partido no poder. Outros acham que esta acontece de forma esporádica e que há uma grande aposta do governo local em criar um clima de tolerância;
“Como consequência do conflito armado há pouco espaço para os outros partidos se articularem. O governo/MPLA também não tem facilitado. Ao mesmo tempo os PPO não lutam suficientemente por um espaço. Fazem comícios mas seria necessário falarem com as pessoas. É importante falar com o soba quando se chega a uma localidade e por isso muitas vezes são corridos.”(Mge)
“… Em Malange está-se a encontrar um clima que proporcione a tolerância. O governo provincial luta para isso mas infelizmente, muitas vezes ao nível da população surgem acções isoladas e tem havido queixas de alguns PPO com relação à intolerância.”
3
Alguns entrevistados consideram que a liberdade de expressão e o acesso à informação são ainda muito deficientes, uma vez que são impostas algumas restrições à actuação dos partidos políticos; o debate político sobre as questões nacionais não é extensivo a todo o país, tendendo a diminuir no interior, principalmente a nível comunitário; não existem rádios privadas e os jornais não chegam regularmente a algumas províncias. Consideram existir também uma disparidade muito grande no acesso aos recursos pelos Partidos Políticos, inclusive aos media. Na maioria das vezes as iniciativas dos PPO não são reportadas pelos media ou são reportadas em horários com pouca audiência.
“Em 2003 a rádio Eclesia fez uma experiência só com música para testar e tivemos muitos problemas com o governo.”(Hbo)
“ A lei de manifestação e reunião prevê que cada partido tem os mesmos direitos. Porém, para nós é só possível fazer uma manifestação nos dias úteis depois das 19H00’ e aos sábados a partir das 15H00’. Mesmo nestes horários impróprios é muito difícil conseguir a aprovação de uma manifestação. Uma manifestação a favor do MPLA ou do Presidente da República pode ser feita a qualquer hora da semana.”(Lda.)
“ O MPLA domina os meios de comunicação. É difícil um partido da oposição ter um minuto na televisão…” (Lda.)
No que se refere ao processo eleitoral todos os entrevistados pensam que poderão haver alguns choques antes e depois das eleições mas nunca o retorno à guerra pelos sucessos conseguidos nos últimos anos: - a criação de um exército único; a integração de combatentes da UNITA na polícia nacional e pelo facto da desmobilização e reinserção dos ex-militares dos acordos de Luena terem beneficiado grandemente a UNITA. Todas as pessoas manifestam interesse em votar no entanto, o medo prevalece porque de um modo geral associam as eleições ao conflito armado. Por essa razão alguns PPO defendem a necessidade de leis específ**as que protejam os que participarem nas campanhas partidárias e punam actos de violência ou intimidação. Em Malange o medo prevalece e as pessoas posicionam-se em relação a este sentimento da seguinte forma:
- Ignoram a existência de outras forças políticas pela evidente presença das feridas de guerra e pelo seu fraco protagonismo nas províncias;
- Pensam instalar-se em outras localidades e principalmente nas cidades porque oferecem maior segurança;
- Não manifestam interesse em votar. Este sentimento é mais evidente no seio das mulheres, mais engajadas na religião e no seio dos jovens pela insatisfação com relação ao elevado índice de desemprego e à dificuldade de continuidade dos seus estudos (a partir do nível médio).
“Têm medo das eleições. Há um provérbio em Kimbundu que diz”o que já me aconteceu que não me aconteça mais. Se acontecer algo onde nós vamos refugiar? Agora já não há eucaliptos para nos escondermos. Morreu muita gente. Antes da guerra tínhamos condições: lavras, os armazéns com coisas a apodrecer. Caso haja guerra outra vez o pouco que temos será roubado. Como é que vamos sobreviver? O voto não é problema. O problema é dizerem que o cidadão sem documento de voto não pode circular.”(grupo de Mulheres)
2.2. Reinserção e Reconciliação
Com o Memorando de Luena em Fevereiro de 2002, Angola pôs fim a uma guerra que não só matou pessoas e destruiu as infra-estruturas do país mas também destruiu muitas relações e mentes. As armas continuam caladas, o que por si só já é um grande sucesso.
A desmobilização de mais de 100.000 antigos combatentes da UNITA foi concluída e as chances para um novo conflito armado não são visíveis. No entanto, houve bastantes problemas no processo da desmobilização dos ex-combatentes da UNITA que provocaram um certo descontentamento: houve fome nos centros de aquartelamento, as indemnizações foram pagas com atraso, outros alegam não ter recebido nenhuma indemnização.
O descontentamento aumentou com o início atrasado dos programas para a reintegração dos desmobilizados, que actualmente se encontram na sua fase inicial não havendo por essa razão impactos visíveis.
Os sentimentos dos entrevistados em relação ao assunto variam de acordo com a sua condição de “vencedor” ou de “derrotado” e são de certa forma um manifesto descontentamento com relação aos critérios adoptados pelo governo e a política de intervenção do Banco Mundial no tratamento dos desmobilizados. O facto dos grandes programas apoiarem somente desmobilizados do Memorando de Luena criou insatisfação no meio das comunidades rurais. Durante as entrevistas foram reportados conflitos, queixas das populações e de outros antigos combatentes, que acham esta limitação injusta e que exigem correcções. Os atrasos verif**ados na implementação dos programas para desmobilizados criou frustração alguma frustração no seu seio. O IRSEM pretende abrir os programas para outros. Algumas ONG’s ligadas ao processo de desmobilização têm adoptado algumas estratégias com vista a reduzir as frustrações e com o fim de criar um clima de convivência salutar entre os desmobilizados e as populações em que estão inseridos.
2.2.1. Sobre a reconciliação
A reconciliação até aqui era vista por todos como um assunto dos “políticos” ou dos “militares”. Sempre que se falasse deste assunto com as pessoas elas diziam que já estavam reconciliadas. Mesmo nas províncias que foram mais afectadas pela guerra existe uma tendência para o perdão na população. No entanto, apesar do conflito militar ter terminado e da atitude das pessoas com relação aos então “inimigos”, as sequelas da guerra são muito fortes tendo-se herdado o costume de procurar soluções através das armas, que ainda permanecem em número considerável nas mãos das populações. Esta situação combinada com a “cultura de violência” constitui uma ameaça permanente, principalmente para as comunidades rurais. Na opinião de alguns representantes da oposição e ONG’s a continuação da Defesa Civil signif**a uma ameaça, tanto para o processo da democratização como de reconciliação.
“De um modo geral a resposta que as pessoas dão é que a guerra acabou e que todos devem viver juntos. Mas há sempre algumas reticências principalmente em relação às feridas de guerra (morte de familiares, mutilações,...).”
“O obstáculo principal para a reconciliação é a defesa civil. Ela está sendo utilizada pelos militantes do MPLA como estrutura partidária. Oficialmente a ODP já foi extinta pelo MINDEF, como ratif**ado no acordo de Luena, mas continuam a existir. O escritório deles em Huambo f**a ao lado da delegação da UNITA. A ODP utiliza o factor da pobreza para conseguir agressores. Suspeita-se que muitas armas continuam nas mãos da ODP.”
“Existe a necessidade de se assumir a paz de uma maneira pessoal, mas a cultura da violência está muito incutida. A arma durante longos anos tornou-se, para muitos, uma empresa, agora como se pode viver sem ela?”
Uma das situações que preocupa bastante as populações refere-se com o tipo de discurso adoptado por alguns políticos que, de um modo geral já não trata mais da paz e da reconciliação. É de um modo geral dominado pela luta pelo poder, utilizando muitas vezes uma linguagem de violência do tipo “lembram-se de quem matou as vossas crianças …”.
“Os militantes da MPLA e da UNITA são muito fanáticos. Reconciliação será muito difícil e levará muitos anos. A maioria dos militantes dos dois lados não aceita a ideia da reconciliação ou da tolerância. O perigo que eles aproveitam um tumulto durante as eleições para se vingar é muito grande.”
Em Malange um considerável número de entrevistados considera que faz falta um verdadeiro processo de reconciliação, uma vez que prevalece o espírito de esquecer opassado ao invés de se confrontar com ele e procurar formas de perdão. Durante a campanha eleitoral este fanatismo pode criar muitos conflitos. “Não concordo com a Amnistia instaurada, já que as atrocidades cometidas por ambas as partes foram muitas. A criação de um tribunal da verdade, tal como fizeram na África do Sul, ajudaria imenso o processo. Não acontecendo isso será provável que a geração seguinte herde os conflitos vividos pelos seus antepassados.”
3.3. A Exclusão económica e social em Angola
Angola ficou conhecida pela sua prolongada guerra e por se considerar a riqueza do país como sendo a causa de todos males, dando-se de certa forma razão a Salazar quando, ao ouvir dizer que se tinha descoberto petróleo em Angola, teria levado as mãos à cabeça e exclamado: “ai, que desgraça!”2. Concorda-se que a riqueza de um país torna fácil a aquisição de armas para alimentar a guerra, como foi o caso de Angola e que a pobreza pode igualmente tornar fácil a revolta das pessoas que são capazes de fazer guerra mesmo sem armas de elevado preço.
O certo é que nos três anos de paz definitiva, ainda não são visíveis mudanças signif**ativas no domínio económico e social, razão pela qual um considerável número de pessoas tem as suas expectativas frustradas. Ao mesmo tempo, os longos anos de guerra, que para trás f**aram estimularam de certo modo uma mentalidade de dependência e um pensamento pouco analítico em relação aos princípios universais de rigor e disciplina. Cada um a seu nível sonhava ter a sua situação de vida melhorada. O funcionário público esperava melhorias no seu salário, quer no montante que haveria de receber como em recebê-lo em tempo oportuno. As pessoas da aldeia contavam com pontes reconstruídas e com estradas melhoradas para escoar os seus produtos do campo para as cidades onde pudessem vender a preços aceitáveis. Com o dinheiro melhorariam o seu nível de vida. Mas a paz que era a esperança para a maioria dos angolanos ainda não produziu efeitos imediatos na vida da maioria das pessoas prevalecendo na maior parte dos casos, uma situação de extrema pobreza. As causas que estruturam este problema são as seguintes:
• A desigualdade no acesso aos recursos (benesses da indústria extractiva e inacessibilidade a créditos bancários);
• As dificuldades de acesso à saúde, educação, emprego;
• A situação de extrema pobreza da maioria da população, cuja taxa é estimada a 68,2 por cento3;
• A outra causa importante do surgimento do fenómeno da pobreza em Angola é sem dúvida a elevada cifra de desemprego;
• A dependência absurda das importações que afasta e marginaliza um sector económico do qual depende uma esmagadora maioria – o sector informal.
As entrevistas realizadas revelam que os sistemas de corrupção estão muito enraizados e são muito mais fortes nos locais onde existe facilidade de acesso a informação, sendo o

DOMINGOS KIAKANUA JÚNIOR

13/01/2021

David Blunkett is prominent politician in the United Kingdom. He was born blind, but hás made a successful career for himself in politics.
When he was 12, His much-loved father was killed in gás explosion at work. His mother had to struggle to bring him up with very little Money.
He had to start at secondary boarding school within two weeks of His father´s death. I realized that would have to fight back or go under, he said. I fought back.
His school was not encouraging. They didn´t believe examinations were necessary and only offered their blind pupils three career options: piano-tuning, lathe-turning of Office work. David chose Office work and learned typing and shorthand. By my blind person with dark glasses and a white stick.
He went to night school for six years to get the qualif**ations he needed to enter to university. Looking back, I don´t know I managed. It was very hard work.
At university he became involved in politics. There are in politics who feel that because I am blind man, I can answer them is by doing first-class Job. And when I make a mistake, it is because I am human like other people, and because I am blind.

O texto
David Blunkett é um político de destaque no Reino Unido. Ele nasceu cego, mas fez uma carreira de sucesso na política.
Quando tinha 12 anos, seu querido pai morreu em uma explosão de gás no trabalho. Sua mãe teve que lutar para criá-lo com muito pouco dinheiro.
Ele teve que começar no colégio interno secundário duas semanas após a morte de seu pai. Percebi que teria que lutar ou afundar, disse ele. Eu lutei de volta.
Sua escola não era encorajadora. Eles não achavam que os exames eram necessários e só ofereciam aos alunos cegos três opções de carreira: afinação de piano, torneamento de escritório. David escolheu o trabalho no Office e aprendeu a digitar e abreviar. Por meu cego de óculos escuros e uma bengala branca.
Ele foi para a escola nocturna por seis anos para obter as qualif**ações necessárias para entrar na universidade. Olhando para trás, não sei se consegui. Foi um trabalho muito duro.

Na universidade, ele se envolveu com a política. Há na política que acham que, porque sou cego, posso respondê-las fazendo um trabalho de primeira classe. E quando cometo um erro, é porque sou humano como as outras pessoas e porque sou cego.

Traduzido pelo: Domingos Kiakanua Júnior

13/01/2021

Silvia Tatiana Maurer Lane, (1933-2006), é considerada uma das mais importantes teóricas da Psicologia Social Brasileira. Formada em Filosofia pela USP no ano de 1956, teve a oportunidade de trabalhar no Centro Regional de Pesquisas Educacionais de 1956 a 1960. Com ampla visibilidade nacional e internacional, o seu conjunto teórico é conhecido como "A Escola Crítica de São Paulo". Seus textos são obrigatórios na maioria dos cursos de Psicologia dos países de língua portuguesa e espanhola. De 1980 a 1983, atuou como presidente da ABRAPSO (Associação Brasileira de Psicologia Social), além de ser um dos membros fundadores da mesma.
Biografia e Contribuições para a psicologia social no Brasil
Silvia nasceu em São Paulo, em 1933. Herdou culturas distantes. A mãe, Apolônia, nasceu na Lituânia. O pai, Willie, um brasileiro filho de suíço-alemão.
A filha única, com o propósito de tornar-se auto-suficiente, fez um curso técnico de secretariado, na tradicional escola Mackenzie. Aos 19 anos, teve o primeiro contato com a Psicologia, quando ingressou na Faculdade de Filosofia da USP. Três anos depois, ganhou uma bolsa para estudar Psicologia, no Wellesley College, Mass., nos Estados Unidos. Anos depois, já no Brasil, casou-se com Fred Lane, amigo de infância, em 1962. Tiveram quatro filhos.
Silvia Lane não se formou em Psicologia, embora seja amplamente reconhecida por suas contribuições nessa área. O fato de ela não ter sido diplomada nessa área, se deu em função de a solicitação que fizera, para fins de reconhecimento do título no ano em que a profissão fora regulamentada (década de 60), ter sido negada. Nesse período, pesquisadores na área da Psicologia não eram vistos como psicólogos.
Independentemente da questão documental formal, em 1965, pelo fato de ela ser filósofa de formação, começou a lecionar Psicologia Social e Personalidade no curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Paralelamente a essa função, fazia parte do Instituto de Psicologia dessa mesma universidade. Nesse caso, como pesquisadora do laboratório de Psicologia Experimental, onde eram realizadas as pesquisas em Psicologia Social. Nos anos seguintes, ela própria testemunhou o crescimento da carreira. Foi professora de outras disciplinas, exerceu cargo de chefia de departamento, defendeu tese de doutorado, ministrou palestras e participou de simpósios dentro e fora do Brasil. Além disso, participou da estruturação da faculdade de Psicologia da PUC-SP. Isso ocorreu no mesmo período de tempo em que se deu a desativação do instituto de Psicologia no qual trabalhava. Entre os anos 1971 e 1974, atuou como diretora da faculdade de Psicologia da PUC-SP ao mesmo tempo que desempenhava a sua função de professora de Psicologia Social.
Em 1972 inaugurou o curso de Pós-Graduação em Psicologia Social, o segundo a ser criado no país, projeto este, que começou a ser desenvolvido em 1971 juntamente com Aniela Ginsberg. Para fazer parte desse projeto de implantação da Pós-Graduação em Psicologia Social, trouxeram três renomados professores dos Estados Unidos, sendo, um deles, Karl Scheibe, que fez parte da equipe por dois anos.
Ainda em 1972, Silvia completou o Programa de Doutorado em Psicologia da PUC-SP defendendo a tese: O Signif**ado Psicológico nas Palavras. Em seu trabalho, apresentou leituras e entrevistas fundamentadas em Chomsky e discordando das mesmas. Compreendeu, portanto, que a sua área de interesse não era a semiologia, mas a Psicologia da Linguagem.
De certa forma, a Psicologia Social no Brasil era uma reprodução do constructo acadêmico instituído nos Estados Unidos, e na França, com pouquíssimo material traduzido para o português. Diante da escassez de base teórica escrita em língua portuguesa, Silvia Lane passou a investir esforços na tradução diversos textos franceses e estadunidenses. Além disso, incentivava os colegas de trabalho a realizarem pesquisas mais profundas na área, bem como orientava os alunos para que realizassem entrevistas diretas às pessoas que transitavam pelas ruas. Silvia Lane também aproveitou o contexto das histórias em quadrinhos nacionais, já existentes, para promover discussões acerca da teoria aliada ao conhecimento prático das entrevistas. Com essa metodologia, Lane passou a desenvolver, de maneira original, uma Psicologia Social aplicada à realidade brasileira.
Na área da Pós-Graduação, Silvia Lane apresentou a mesma metodologia que incentivava na graduação, isto é, a construção da ciência psicológica adaptada ao contexto brasileiro e latino-americano. Para isso, também contava com o apoio de leituras críticas de teorias clássicas e contemporâneas, bem como, com suporte em pesquisa. Foi coordenadora desse programa de 1977 a 1982 e de 1987 a 1989. Além disso, vice-coordenadora entre os anos de 1975 a 1977 e 1998 a 1999.
Silvia Lane foi aprovada por meio de concurso como professora titular, do departamento de Psicologia da PUC-SP. Ela ocupou esse cargo até o momento de seu falecimento. Nessa universidade foi influente ministrando aulas, orientando alunos, bem como coordenando o núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Atividade, Consciência, Linguagem, Pensamento e Emoção. Se destacaram entre as disciplinas ministradas por Lane: Psicologia da Linguagem, Problemas Filosóficos na Investigação Científ**a em Psicologia, Leitura Crítica em Psicologia Social (Politzer, Skinner e Leontiev), Processo Grupal, A mediação da Linguagem e das Emoções no Psiquismo Humano. Houve destaque, também, nas atividades que realizou no Laboratório do Programa de Psicologia Social de modo a transformá-lo em um centro de debates interdisciplinares, bem como na divulgação da Pesquisa Participante e da Psicologia Comunitária.
No período de atuação na Pós-Graduação, orientou 41 dissertações de mestrado e 29 teses de doutorado, tendo com isso, capacitado docentes e pesquisadores para universidades de todas as regiões do país. Ainda na PUC-SP, foi diretora do Centro de Ciências Humanas (1982 a 1984) e, em 1984, assumiu a vice-reitoria acadêmica. Também participou da Associação de professores da PUC-SP (APROPUC), sendo uma das fundadoras e vice-presidente no período de 1976 a 1978.
Sua atuação teve especial importância em 1968, período da ditadura militar no Brasil. Teve grande participação para transformar as áreas de ensino em espaços de reflexão crítica e do desenvolvimento do potencial da ação transformadora, mantendo o rigor científico. Neste ano de 1968, as universidades brasileiras tiveram suas atividades paralisadas como protesto à ditadura. Na PUC-SP foi realizado um processo para tentar contornar a situação de ensino, trazendo novas formas de experiências e articulando com necessidades sociais, as quais implicaram em modif**ações definitivas ao currículo regular do curso e método de ensino.
Silvia Lane foi membro fundador da ALAPSO (Associação Latino Americana de Psicologia) e criou e foi eleita presidente da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO). Teve grande presença no Encontros Internacionais realizados pela Sociedade Interamericana de Psicologia (SIPI), trazendo em pauta a necessidade de uma Psicologia Social Latino Americana, aplicada no contexto de cada país. No ano seguinte, publicou o primeiro livro: O que é Psicologia Social.
A ABRAPSO foi fundada em 10 de julho de 1980, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Lane foi presidente até 1983, sendo membro ativo até seu falecimento. A primeira publicação da ABRAPSO veio em forma de boletim em 1980, transformando-se, em janeiro de 1986, na Revista Psicologia e Sociedade. Silvia Lane participou como uma das editoras desta revista até o momento de sua morte.
Em 1982 foi realizada uma viagem pela América Latina, financiada pelo CNPq, com intuito de expandir seu conhecimento psicossocial, conhecendo a produção de outros países. Fizeram parte do roteiro: Peru, Venezuela, Colômbia, Equador, México, Cuba e Porto Rico. Essa viagem trouxe influência do teórico Martin-Baró para seu pensamento.
Outras influências vieram do Laboratório de Psicologia Social de Paris, com Pecheux, Pagés e Poitou, que produziam reflexões teórico-metodológicas sob a ótica marxista, bem como, por meio de Denise Jodelet e Moscovici, da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Sorbonne, autores da teoria das representações sociais.
Dois psicólogos latino-americanos tiveram influência no pensamento de Lane: Mario Golder (Universidade de Buenos Aires) e Fernando Gonzalez Rey (Universidade de Havana). Ambos fizeram doutorado na Rússia e foram orientados por discípulos da escola soviética que se utilizava das ideias de Vygotsky, Luria e Leontiev. Isso proporcionou a atualização da forma como se utilizava o materialismo histórico, e dialético, na psicologia Social.
Com o amadurecimento profissional, veio, também, o reconhecimento no Brasil e no exterior. Em 1995 foi homenageada, pela ABRAPSO, por sua contribuição de 30 anos dedicados à Psicologia Social Brasileira.Em 1999, Sílvia Lane recebeu Menção Honrosa, no XXVI Congresso Interamericano de Psicologia, pelo melhor artigo publicado na Revista Interamericana de Psicologia, no período de 97-98. Dois anos depois, na XXVII edição do congresso, ela recebeu da Sociedade Interamericana de Psicologia, o prêmio concedido aos pesquisadores que contribuem decisivamente ao desenvolvimento da Psicologia Latino-Americana.
Silvia Lane publicou, aproximadamente, 56 textos e 4 livros.
Livros Publicados
• Lane, Silvia Tatiana Maurer. (1981) O que é Psicologia Social. São Paulo: Brasiliense.
• Lane, Silvia Tatiana Maurer e Codo, Wanderley. (orgs.) (1984) Psicologia Social. O Homem em movimento. São Paulo: Brasiliense.
• Lane, Silvia Tatiana Maurer e Sawaia, Bader B. (orgs.) (1995) Novas veredas da Psicologia Social. São Paulo: EDUC e Brasiliense.
• Lane, Silvia Tatiana Maurer e Araújo, Y. (orgs.) (2000) Arqueologia das emoções. Petrópolis: Vozes
[2] [3] [4]

Referências
1. ↑ «Sílvia Lane». Psicologia: Ciência e Profissão. 23 (1): 101–101. Março de 2003. ISSN 1414-9893. doi:10.1590/S1414-98932003000100014
2. ↑ SOUSA, Esther Alves de. Silvia Lane: uma contribuição aos estudos sobre a Psicologia Social no Brasil. Temas psicol. [online]. 2009, vol.17, n.1 [citado 2019-11-04], pp. 225-245.
3. ↑ CARONE, Iray. O PAPEL DE SÍLVIA LANE NA MUDANÇA DA PSICOLOGIA SOCIAL DO BRASIL. Psicologia & Sociedade; 19, Edição Especial 2: 62-66, 2007.
4. ↑ SAWAIA, B. (2006) Sílvia Lane - a psicóloga da ação política. Mnemosine Vol 2, nº 1, p. 87-97
Categoria:Psicólogos sociais Categoria:Psicólogos do Brasil Categoria:Pesquisadores do Brasil[1]

Domingos Kiakanua Júnior

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