12/03/2022
Geração da Mensagem
A Geração da Mensagem (1950-53) da literatura angolana de expressão portuguesa formou-se na continuidade do movimento dos "Novos Intelectuais de Angola", cujo lema - "Vamos Descobrir Angola!" - operaria uma revolução decisiva na sociedade colonial dos fins da década de 40.
Mensagem apresenta-se, assim, como o órgão catalisador de um punhado de jovens angolanos dispostos assumirem uma atitude de combate frontal ao sistema sociocultural vigente na época. Foi, sem dúvida, o mais forte contributo para a verdadeira busca de uma cultura, de uma literatura autêntica, social e, sobretudo, participada.
Segundo os próprios mentores desta Geração, Mensagem pretendia ser o marco iniciador de uma cultura nova, de Angola e por Angola; fundamentalmente angolana. Cultura essa que se desejava que fosse forte, verdadeira, pujante e humana. Por estes motivos, Mensagem proclamava, bem alto, o slogan cultural e político de "redescobrir" Angola. Se se pretender encontrar as motivações literárias que deram origem a esta fortíssima e marcante geração, será essencial dizer que terá sido o Modernismo brasileiro um dos movimentos literários estrangeiros que mais incentivou estes jovens (juntamente com outros movimentos literários e culturais europeus vigentes na época) e que mais os fez avançar com a vontade de produzirem uma literatura capaz de traduzir exatamente as necessidades, sentimentos, inquietudes, problemas e ansiedades da terra angolana. O intuito principal desta Geração era, sem margem para dúvida, dar vida ao eco das novas ideias, vindas da Europa e da América do Sul, e de fazer passar uma tomada de consciência da iminente necessidade coletiva de agir.
Quando na revista Mensagem aparece um convite explícito ao povo angolano para que se construísse uma "língua angolana", a Geração - reivindicativa como era - passa a constituir-se uma gritante força que impulsionará a cultura do país a afirmar-se num quadro social e humano plenamente definido. Desta forma, Mensagem deve ser classificada como uma revista literária de conteúdo declaradamente político.
Numa época em que o estatuto da voz pertencia em exclusivo aos "não naturais" de Angola, foi significativo que os "filhos do país" tivessem assumido tal decisão, assumindo a fala que, embora pertencesse à mesma linguagem codificada do dominador (a língua portuguesa), era uma "fala outra", porque era germinada no terreno oposto - Mensagem nasce nos musseques de Luanda, local onde vivia a maioria do povo.