05/06/2021
REPÚDIO AO ASSÉDIO VIRTUAL
[Alerta Gatilho: Assédio Sexual]
Não são recentes, nem poucas, as denúncias sobre assédios se***is dentro do espaço universitário. Como se não bastassem as agressões cotidianas experienciadas no ensino presencial, a dinâmica do ensino remoto agora se mostra como mais um instrumento para a reprodução de violências e discursos coercitivos. Tornou-se de conhecimento, recentemente, dos Centros Acadêmicos, a perseguição e assédio sexual virtual por parte de dois docentes a alunas de uma das Faculdades da Unesp de Araraquara, colocando estas alunas em situações de medo, submissão, humilhação e desconforto. Estes casos colocam em foco o debate urgente sobre como se dão as relações aluno-professor durante o ensino remoto e como os nossos estudantes não estão seguros nem mesmo no espaço privado de suas casas.
Não se trata de fazermos aqui uma retaliação a todo o corpo docente da Universidade, afinal, reconhecemos aliados dentro desses espaços institucionais. Trata-se, no entanto, de colocarmos em pauta a emergência de uma discussão qualificada entre os docentes do que significa assédio moral e sexual. A academia não está isenta de posicionar-se e politizar-se acerca das violências que acometem os estudantes e seus próprios membros.
O distanciamento social, consequente da pandemia da Covid-19, no que se diz respeito às nossas relações interpessoais, geralmente edificadas no campus, não pode ser agora um fator impossibilitante de discussões e denúncias. Nosso papel, enquanto representantes do corpo estudantil, é deixar marcado, sempre, o repúdio aos abusos de poder e a solidariedade ativa às vítimas desta violência descomunal.
O corpo estudantil exige respeito e demanda que os órgãos colegiados tomem as devidas providências em relação às queixas aqui feitas, não somente no que tange a correção e penalidade dos docentes responsáveis, mas também no exercício de conscientização do corpo universitário, em todas as suas instâncias, no que se refere o assédio sexual e moral, seja pela criação de eventos de informação e acolhimento, ou pela orientação à possíveis vítimas, através de meios simples e acessíveis de como buscar ajuda em situações semelhantes.
Expressamos toda solidariedade às vítimas dessa agressão! Não seremos intimadas, amedrontadas e não nos calaremos jamais! Que esta carta fortaleça todos aqueles que estão sofrendo em silêncio, vocês não estão sozinhos! Procure o seu Centro Acadêmico, ou uma rede de apoio próxima, para juntes procurarmos justiça.
Encaminharemos, em breve, uma denúncia formal, através da ouvidoria da Unesp e carta à Congregação.