16/05/2016
NOTA DE REPÚDIO
Nós, mulheres da coordenação de Políticas Estudantis do Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACOS) UBM, viemos por meio desta nota repudiar a atitude de um professor do curso de Jornalismo por comentários machistas através desta rede social.
No início da tarde desta segunda-feira (16), após o compartilhamento do link no grupo da turma do 5º período, [http://vida-estilo.estadao.com.br/blogs/nana-soares/elas-sao-lindas-quando-estao-bravas/] sobre o novo documentário da Netflix: "She's beautiful when she's angry" em tradução "Elas são lindas quando estão bravas" qual trata das lutas das mulheres, relembrando as histórias dos movimentos feministas dos Estados Unidos entre os anos de 1966 e 1971 e o impacto dessas lutas até os dias atuais, o professor fez o seguinte comentário: "Fato é que se a dilma estivesse na cozinha nada disso teria acontecido!!". E, mesmo com os comentários de desaceitação das estudantes do curso, o professor segue em tom de ironia: "Kkkkk.... só queria vê-las ainda mais lindas!!! Bjs em vossos corações, mulheres bravas!".
Segundo o capítulo II, artigo 6, parágrafo I, XI e XIV do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros é da conduta profissional do jornalista "opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos", "defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias" e "combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação social, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza".
Nós repudiamos qualquer tipo de atitude machista dentro e fora do âmbito acadêmico. Reconhecemos a que presidenta afastada Dilma Rouseff foi vítima de machismo durante o seu mandato pela insatisfação popular. Em diversos meios de comunicação, sobretudo na grande mídia, foi dito que a até então presidenta estava tendo "surtos de descontrole" ratificando o discurso machista de que mulher é surtada. A mesma presidenta recebeu o conselho de "fazer mais s**o" de um jornalista publicado no site da revista Época, para quem a solução da crise seria se Dilma se apresentasse de forma "mais erotizada".
Além disso, Dilma foi alvo de xingamentos misóginos em redes sociais, quais nós não aceitamos na época e não aceitaremos agora após o seu afastamento.
Corroboramos o fato de que o CACOS não tem ligação NENHUMA com o Partido dos Trabalhadores. É dever que o centro acadêmico lute contra qualquer forma de opressão ou exploração, segundo o item E, artigo 5 do capítulo III do estatuto aprovado em assembléia.
Exigimos respeito por parte do corpo docente do UBM - Centro Universitário de Barra Mansa, pois quando fere uma mulher, fere todas. A luta de uma é a luta de todas. Sororidade é a palavra que define isso. Não vamos aceitar piadinhas machistas de professor algum e não ficaremos quietas!
PROFESSORES MACHISTAS NÃO PASSARÃO!