11/03/2026
Nossos parceiros do CT-Modelagem da UFMG lançaram, juntamente com ICV, Trase e Centro de Inteligência Territorial, um policy brief alertando para os riscos do fim da Moratória da Soja.
Eles demonstram que o acordo voluntário, assinado em 2006 pelas principais tradings de soja do país e organizações da sociedade civil, apoiados pelo Ministério do Meio Ambiente, ajudou a frear o avanço de novas lavouras de soja sobre a Amazônia, mesmo nos anos de desmonte das políticas ambientais. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – Abiove, que foi signatária da Moratória até janeiro deste ano, apenas 4% dos 6 milhões de hectares de novas lavouras de soja criadas entre 2008 e 2024 foram feitas a partir da derrubada da vegetação nativa.
Com o fim da Moratória, os pesquisadores apontam que mais de 13 milhões de hectares de floresta estariam em risco, juntamente com a credibilidade da sojicultura nacional. Dados nossos mostram que, em 2024, 43 mil imóveis com mais de 1 ha de soja conservavam 13.6 milhões de hectares de vegetação nativa na Amazônia, com média de 46% por imóvel — percentual inferior aos 80% exigidos pelo Código Florestal (CF).
Essa vegetação está distribuída de forma desigual entre os imóveis, de modo que 835 mil hectares representam excedente de reserva legal (RL) que, segundo o CF, podem vir a ser autorizados para conversão. Ao mesmo tempo, o conjunto de imóveis produtores de soja também acumulam 4,6 milhões de hectares de déficit de RL que precisariam ser recuperados ou compensados.
“Mais de 80% da soja produzida na Amazônia é destinada ao mercado internacional, especialmente à China e à União Europeia. Além disso, cerca de 60% desse volume é comercializado por grandes empresas que eram signatárias da Moratória. Com o possível fim do acordo, todo esse mercado ficará exposto ao risco de associação com o desmatamento”, explica o professor Raoni Rajão. Segundo ele, esse cenário pode reacender pressões internacionais e até levar a boicotes à soja da região, semelhantes aos que motivaram a assinatura da Moratória em 2006.
O documento completo pode ser encontrado no site do CT-Modelagem: https://csr.ufmg.br/ct_modelagem/policy-briefs/