Professora Marília Mendes

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🧑‍🎓Professora universitária, Doutoranda (PhD) em Ciências Sociais (Antropologia) na Universidade de Salamanca(Espanha); Mestrado em Linguística na UFMG.
📍Supervisora Territorial em Brumadinho
🙋🏽‍♀️Heteroidentificacão

20/08/2026

Não é só ego; é também identidade e pertencimento. A intertextualidade se constrói com “A não queimada", um dos títulos de Daenerys Targaryen na série Game of Thrones, famosa por não sofrer danos ao entrar em contato com o fogo e chamas intensas. Interpretem!

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16/08/2026

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Equilibrium, de Anitta: entre a experiência, a ancestralidade e a mercantilização do sagradoEquilibrium, de Anitta, pode...
16/08/2026

Equilibrium, de Anitta: entre a experiência, a ancestralidade e a mercantilização do sagrado

Equilibrium, de Anitta, pode ser compreendido não apenas como um álbum musical, mas como um artefato cultural no qual se encontram diferentes dimensões da sociedade brasileira: religiosidade, corpo, gênero, ancestralidade, identidade, consumo e mercado global. A obra é particularmente interessante para a antropologia porque transforma uma experiência declaradamente pessoal e espiritual em uma narrativa pública compartilhada por milhões de pessoas.

A primeira questão antropológica que o álbum suscita é a relação entre experiência individual e cultura coletiva. Anitta apresenta sua busca pelo equilíbrio como uma experiência íntima, mas os símbolos utilizados para narrá-la não são exclusivamente individuais. O candomblé, os orixás, os ritmos afro-brasileiros, as referências à ancestralidade e as sonoridades populares pertencem a sistemas culturais e religiosos construídos coletivamente. Quando esses elementos entram em um produto da indústria cultural, deixam de circular apenas dentro de seus contextos originais e passam também a integrar uma linguagem pop.

É justamente aí que surge uma questão fundamental: o que acontece quando o sagrado se transforma em linguagem de entretenimento?

A presença de elementos de religiões de matriz africana em uma obra de uma das maiores estrelas brasileiras possui uma dimensão potencialmente transgressora. Em uma sociedade marcada pelo racismo religioso, tornar pública uma identidade relacionada ao candomblé pode funcionar como enfrentamento simbólico ao estigma. A própria Anitta afirmou recentemente que precisou lidar com o medo do preconceito e das consequências profissionais de assumir publicamente sua religião.

Entretanto, uma leitura antropológica não deve parar na celebração da representatividade. Ela precisa perguntar também quem tem o poder de transformar determinado símbolo cultural em capital artístico, econômico e midiático.

O álbum coloca em evidência uma tensão entre ancestralidade e indústria cultural. Elementos que, para determinadas comunidades, possuem significados religiosos, históricos e identitários específicos passam a circular em uma obra produzida para o mercado fonográfico global.

A ancestralidade deixa de aparecer somente como aquilo que diferencia grupos e passa a ser apresentada como possibilidade de cura, pertencimento e equilíbrio. O “outro” cultural deixa de estar completamente fora do sujeito e passa a participar da construção de sua própria identidade. Essa operação dialoga com uma questão central da antropologia contemporânea: culturas não são estruturas imóveis; são continuamente apropriadas, reinterpretadas, negociadas e ressignificadas.

Mas existe um paradoxo. Ao mesmo tempo em que o álbum valoriza referências afro-brasileiras, ele as insere em uma indústria que historicamente transforma diferenças culturais em mercadorias. O que antes poderia ser percebido como marginal, religioso ou subalternizado pode adquirir enorme valor quando apresentado por uma celebridade global.

Há ainda uma dimensão política importante. Durante décadas, determinadas manifestações culturais afro-brasileiras foram classificadas como primitivas, supersticiosas ou inferiores.
Ao final, Equilibrium talvez não encontre exatamente o equilíbrio que anuncia. Ele encontra algo mais interessante: a tensão. A tensão entre religião e espetáculo, ancestralidade e consumo, identidade e mercado, liberdade e mercadoria, experiência pessoal e representação coletiva.

E é justamente nessa tensão que o álbum se torna antropologicamente relevante.
Assim, Equilibrium pode ser entendido como um objeto antropológico da cultura pop brasileira: não porque represente perfeitamente qualquer tradição cultural, mas porque revela como essas tradições são constantemente disputadas, reinterpretadas e transformadas quando encontram o corpo de uma artista, o mercado e o olhar de milhões de espectadores.

Professora Marília Mendes
Prazer! Eu sou a professora Marília. Leciono Linguística e Produção de Texto e estudo Antropologia na Universidade de Salamanca.

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Palavras Bem-ditas · Episode

Benditas (escrito junto) significa abençoadas ou sagradas. Já bem-ditas (separado) qualifica palavras ou frases que fora...
09/08/2026

Benditas (escrito junto) significa abençoadas ou sagradas. Já bem-ditas (separado) qualifica palavras ou frases que foram ditas de forma correta, adequada ou mesmo bonita, de acordo com os dicionários de referência do português brasileiro.

O Podcast “Palavras Bem-ditas” está no ar! Por questões de propriedade intelectual, nosso podcast foi repaginado, renomeado e está ainda melhor! O nome carrega a ambivalência da expressão: ele chega abençoado e da maneira mais adequada para a nossa audiência: jovens concluintes do ensino médio.

No primeiro episódio, falo sobre o poder de influência da apresentadora Oprah Winfrey, como sendo uma das milhares de pessoas que se destacam pelo poder da oratória. Até dá para debater se essa chancela de ser um influenciador serve para todo mundo que se autodeclara dessa forma, mas falar de Oprah é unanimidade. Ela tem se mostrado insuperável.
Prazer! Eu sou a professora Marília. Sou professora de Linguística e estudo Antropologia. Em breve, teremos novos episódios. Em breve, serei PhD em Antropologia. Uma realização ímpar em minha vida.
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💥Para quem precisa de um bom repertório para a redação do Enem, este livro tem quase todos! Quem me conhece sabe da minh...
26/07/2026

💥Para quem precisa de um bom repertório para a redação do Enem, este livro tem quase todos!
Quem me conhece sabe da minha paixão pela Cabeça do Santo. O romance de estreia de Socorro Acioli e obra de realismo mágico, narra a jornada de Samuel, um jovem que viaja a pé até a cidade de Candeia. A obra pode ser dividida em 03 grandes eixos:

📌A Promessa: Após a morte de sua mãe, Samuel parte de Juazeiro do Norte para cumprir seus últimos desejos: encontrar o pai e a avó que nunca conheceu. Ele também carrega a missão de acender velas para três santos em diferentes cidades.

📌O Dom Extraordinário: Em Candeia, uma cidade quase fantasma, Samuel encontra abrigo dentro da cabeça oca e gigantesca de uma estátua inacabada de Santo Antônio. Nesse local curioso, ele descobre possuir o dom fantástico de ouvir as preces que as mulheres fazem ao santo.

📌A Trama: As vozes femininas revelam dores e desejos amorosos. Com essa habilidade, Samuel se envolve em "falsos milagres" que agitam o pequeno município e acaba ganhando dinheiro arranjando casamentos na rádio local. A narrativa mistura fé, mistério e a descoberta de segredos familiares, culminando no encontro de Samuel com seu pai e o acendimento da vela prometida.

Em breve, teremos um episódio no com mais detalhamento.

Hoje é dia do escritor. Eu já estou no segundo livro de uma trilogia que mudou a perspectiva da literatura brasileira. F...
25/07/2026

Hoje é dia do escritor. Eu já estou no segundo livro de uma trilogia que mudou a perspectiva da literatura brasileira. Faz muito tempo que não tínhamos, no país, um autor com tanta força.

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