26/09/2026
Hoje, Anyky Lima completaria 71 anos, e o Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT - NUH/UFMG celebra sua vida, sua memória e seu legado. Tr****ti, ativista e interlocutora fundamental do movimento trans em Belo Horizonte e no Brasil, Anyky participou da formação das redes que deram origem à organização política das tr****tis na cidade e tornou-se uma liderança reconhecida, atuando como presidente do CELLOS-MG, representante da ANTRA em Minas Gerais e articuladora do movimento trans junto a órgãos públicos. Sua militância esteve profundamente comprometida com a construção de uma vida digna e sem violência para pessoas trans, denunciando a exclusão, marginalização, violência e a restrição das possibilidades de trabalho e cidadania. Na parceria com o NUH/UFMG, Anyky foi muito mais que uma interlocutora, foi produtora de conhecimento e mediadora entre a experiência das ruas, o movimento social e a universidade. Sua participação contribuiu para processos de transformação institucional, inclusive para o debate e a implementação do uso do nome social na UFMG, e formou pesquisadores, gestores e ativistas que tiveram a oportunidade de aprender com sua experiência, sua militância e sua maneira singular de produzir saber político a partir da experiência tr****ti.
Mas lembrar Anyky é também lembrar o humor e o cuidado que habitavam sua militância. É lembrar sua atenção às colegas, especialmente às tr****tis mais jovens com quem dividia a moradia, sua disposição em acolher, orientar e abrir caminhos, e também o amor pelos seus cachorros, parte tão querida de sua vida cotidiana. Como uma tr****ti idosa lutou pelo direito de todas a uma vida longa, múltipla, afetiva e politicamente ativa. Hoje, seu nome permanece também no Ambulatório Trans Anyky Lima, como expressão concreta de uma luta por saúde, reconhecimento e dignidade.
Ao celebrar sua vida o NUH/UFMG reafirma o compromisso de preservar sua memória e fazer reverberar aquilo que Anyky nos ensinou: que lutar por direitos é também cuidar de vidas, produzir conhecimento, construir comunidade e criar condições para que pessoas trans possam existir, envelhecer e viver plenamente, com dignidade, afeto e sem violência.