19/09/2025
Você faz ideia de como era a alimentação dos marinheiros que adentraram o continente antártico no século XIX? Partindo de um estudo de caso, María Jimena Cruz em sua tese de doutorado intitulada “Memórias de um mundo congelado. A indústria lobeira e as experiências antárticas no século XIX” investiga como as viagens de caça à lobo-marinho (indústria lobeira) às ilhas Shetland do Sul, no século XIX, permitiram construir memórias e experiências particulares do contato com a Antártica. Ela parte da ideia de que memória e alimentação estão entrelaçadas; a alimentação (atrelada ao corpo, aos sentidos e as práticas associadas ao comer) serve como lente para compreender como as pessoas viviam, percebiam e se relacionavam com ambientes extremos.
A pesquisadora utiliza diferentes tipos de evidências, como documentos escritos (diários de bordo, diários pessoais, listas de tripulações) e vestígios arqueológicos para abordar essa temática de maneira multidisciplinar.
As práticas alimentares dos lobeiros revelam estratégias de adaptação, improvisação e até mesmo de resistência. É essencial refletir sobre como conservavam alimentos, como enfrentavam longos períodos sem provisões frescas e como o corpo humano reagia ao frio, à escassez e ao isolamento. Desse modo, essa pesquisa se mostra fundamental ao abordar aspectos que, muitas vezes, escapam das narrativas mais tradicionais de exploração e ciência.
A arqueologia permite revelar vestígios que muitos documentos não mencionam; nesse caso, a alimentação se mostra essencial enquanto objeto de análise que ajuda a “preencher lacunas” e a dar corporeidade à memória.
Leia a tese completa aqui: https://l1nq.com/academiaedu-JimenaCruz
Foto 1 e 2: Contextualização do sítio na praia Sul (Acervo LEACH)
Foto 3 e 4: Contextualização do sítio na praia Norte (Acervo LEACH)
Fonte: María Jimena Cruz