21/05/2017
ISOERITRÓLISE NEONATAL EQUINA
Isoeritrólise neonatal é uma síndrome hemolítica que ocorre em potros recém-nascidos, causada por incompatibilidade de grupo sanguíneo entre o filhote e a égua e mediada por anticorpos maternos contra os eritrócitos fetais. É mais comum nas raças Puro Sangue e menos comum em Quarto de Milha, mestiços e muares.
Ocorre sensibilização da égua quando entra em contato com hemácias do potro (devido a lesões placentárias ou durante o parto anterior) ou por transfusão de sangue e com isso, o filhote adquire os anticorpos contra as hemácias pelo colostro da primeira ma**da assim que nasce e os anticorpos do neonato destroem suas hemácias, causando a isoeritrólise. Como os eqüinos possuem placentação epiteliocorial, não há contato entre os sangues materno e fetal, os anticorpos não são capazes de atravessar a placenta, portanto, o potro só é afetado a partir do consumo do colostro que os contenha.
Sendo assim, para que isso ocorra, deve-se haver a exposição da égua ao antígeno de superfície (Aa ou Qa) que ela não possui, respondendo com produção de anticorpos; e outros fatores como: cobertura com garanhão que transmita o gene deste fator ao potro; presença no colostro de anticorpos contra o antígeno do potro; Ingestão de colostro; destruição ou remoção da circulação das hemácias do potro, devido à ação dos anticorpos provenientes da mãe.
Os potros nascem clinicamente normais. Após a primeira ma**da, apresentam-se fracos, deprimidos e com reflexo de sucção diminuídos de 12 a 72 horas. O quadro se agrava dependendo da quantidade de colostro ingerido e atividade dos anticorpos absorvidos. Tardiamente, após 24 horas de vida pode-se observar apatia, fadiga, apetite reduzido, taquicardia (aumento da frequência cardíaca), taquipnéia (aumento da frequência respiratória), mucosas inicialmente pálidas e posteriormente ictéricas e hemoglobinúria.
info
O diagnóstico é feito através da anamnese, sinais clínicos e por teste de aglutinação (Teste de Coombs) feito com sangue do potro com o soro sanguíneo da mãe que confirma a presença de anticorpos na superfície de células vermelhas do potro afetado ou Teste de Aglutinação para “potro ictérico” (JFA) feito com uma gota de sangue do potro com anticoagulante mais o colostro em diluições com solução fisiológica até 1:32 (aglutinação em diluições acima de 1:18 são positivas). Ambos os exames podem ser realizados antes do neonato mamar.
Os achados laboratoriais podem revelar anemia e hiperbilirrubinemia, a urina pode apresentar-se de coloração vermelha a castanha e ser positiva para sangue oculto.
Geralmente, o prognóstico em potros depende da quantidade e da atividade dos anticorpos absorvidos e é indiretamente proporcional à velocidade dos início dos sinais.
Lembrando que a prevenção da doença é muito mais eficaz que seu tratamento, portanto, deve-se realizar o teste de aglutinação em todo os potros recém-nascidos ou entre o soro do pai e da mãe duas semanas antes do parto; importante que o Médico Veterinário oriente ao proprietário a impedir que o potro mame na mãe quando o teste for positivo, oferecendo desta forma, colostro de outra égua; torna-se necessário ordenhar a mãe a cada 2 horas, por 3 a 5 dias, possibilitando após esse período, que o potro mame diretamente na mãe; e por último (mas não menos importante) utilizar na cruza um garanhão com compatibilidade sanguínea conhecida, eliminando a possibilidade dos pais gerarem um potro acometido.