Núcleo de Estudos e Pesquisa em Psicanálise e Sociedade

Núcleo de Estudos e Pesquisa em Psicanálise e Sociedade O núcleo de estudo da diversidade de perspectivas teóricas no interior da psicanálise, bem como de construção do enlace da Psicanálise com a sociedade.

Coletivos, política e psicanálise: os desafios da escuta do inconsciente e o lugar do singularComo construir um coletivo...
01/07/2025

Coletivos, política e psicanálise: os desafios da escuta do inconsciente e o lugar do singular

Como construir um coletivo sem cair na ideia de fazer “Um”?

Dá pra existir junto sem precisar virar grupo fechado, sem silenciar o singular?

E como a psicanálise pode escutar o inconsciente — e as suas incidências — especialmente quando falamos de identidade, política e das existências LGBTQIAPN+?

É sobre tudo isso que vamos conversar no nosso próximo encontro, promovido pelo Nódoa, em parceria com a Clínica da Diversidade (projeto de extensão do UniBH) e a querida .

✨ Convidado: Alessandro Santos
📍 Onde: Casa Aberta (membros do Nódoa) + online
🗓 Data: 04/07/2025
⏰ Horário: 19h
🎟 Evento gratuito, híbrido e com certif**ado.

Inscrições abertas pelo link na bio. Vem pensar com a gente outras formas de existir em coletivo.

“Cale-se”, disse Emmy von N. a Freud — não como recusa, mas como apelo à escuta. Nesse gesto, ela inverte a lógica médic...
28/06/2025

“Cale-se”, disse Emmy von N. a Freud — não como recusa, mas como apelo à escuta. Nesse gesto, ela inverte a lógica médica e inaugura a psicanálise como espaço onde o sujeito fala, não mais como objeto do saber, mas como sujeito da própria verdade.

Mais de um século depois, o sujeito trans repete esse gesto: exige ser escutado, não definido. Reivindica o direito de dizer de si, desafiando a clínica a renunciar aos rótulos e escutar o que ainda não sabe.

A ética da psicanálise, se fiel à sua origem, precisa se abrir às novas formas de existir, de g***r, de signif**ar. Escutar a diferença não como desvio, mas como verdade do sujeito contemporâneo — eis o desafio.

Orlando, obra de Virginia Woolf, é um ousado ensaio literário escrito em 1928, onde a escritora desmonta a oposição biná...
25/06/2025

Orlando, obra de Virginia Woolf, é um ousado ensaio literário escrito em 1928, onde a escritora desmonta a oposição binária de s**o e gênero, antes mesmo que tais termos fossem considerados hoje. A narrativa da vida do personagem Orlando atravessa mais de três séculos da história, marcada por consideráveis mudanças, sendo a mais signif**ativa delas a de gênero: do masculino para o feminino.

Na transformação de Orlando, no entanto, o que está em jogo não é o corpo físico, mas os efeitos sociais, simbólicos e subjetivos. Woolf não trata a mudança como algo excêntrico, pelo contrário, ela a descreve com naturalidade, desestabilizando concepções fixas sobre o gênero: “Orlando dormiu como um homem e acordou como uma mulher “. Essa reviravolta nos permite explorar não apenas questões relacionadas à restrita liberdade de ação impostas às mulheres, da época – especialmente no campo do intelecto – mas também antecipa discussões contemporâneas sobre identidade de gênero, performatividade e crítica à normatividade.

Numa linguagem cheia de metáforas, o romance de Woolf explora para além da materialidade do corpo, as das “vestimentas”, sugerindo que o que nos faz parecer homens ou mulheres pode ser apenas a “roupa” — ou seja, o olhar do Outro: os códigos culturais, os dispositivos normativos. Há um aniquilamento do sujeito do desejo, pois tais signif**antes sociais moldam não apenas a aparência, mas o próprio pensamento, a linguagem e os afetos. O que parecia superficial como tipos de tecidos e trajes, revela-se determinante, quase orgânico.

continua nos comentários…

🎙️ Diálogos Urgentes📅 04 de julho, às 19h📍Local: Casa Aberta ✨ É com muita prazer que o Coletivo Nodoa receberá o psican...
23/06/2025

🎙️ Diálogos Urgentes
📅 04 de julho, às 19h
📍Local: Casa Aberta

✨ É com muita prazer que o Coletivo Nodoa receberá o psicanalista Alessandro Pereira dos Santos para mais um bate- papo/ encontro para pensarmos os atravessamentos do nosso tempo, onde o coletivo e o singular se tensionam na escuta do inconsciente.

📍Evento fechado
📢 Mas fiquem atentos: em breve, compartilharemos as contribuições desse encontro com vocês!

A exposição “Vetores Vertentes: Fotógrafas do Pará”, no CCBB Belo Horizonte, constrói um diálogo entre técnica, cultura ...
18/06/2025

A exposição “Vetores Vertentes: Fotógrafas do Pará”, no CCBB Belo Horizonte, constrói um diálogo entre técnica, cultura e subjetividade, evidenciando como a fotografia pode operar como espelho e ressonância psíquica. A precisão do enfoque documental, como nos retratos das erveiras do Ver o Peso, contrasta com os efeitos experimentais, as manipulações analógicas e as sobreposições digitais que remetem à fluidez de memórias e afetos. Essa tessitura técnica revela o ritmo da cultura nortista: a materialidade do açaí, os ritmos do Círio, a densidade da presença dos corpos ribeirinhos são captados não só pela luz, mas pelas texturas sonoras e aromáticas presentes na mostra, evocando uma experiência sensorial que resgata a ancestralidade e a territorialidade.

Esse arcabouço sensorial acolhe a pulsão de expressão e pertencimento das fotógrafas, mulheres negras, indígenas, ribeirinhas, cujo olhar carrega tanto a afirmação identitária quanto o trabalho de luto (e luta) à negação histórica. A câmera torna se instrumento de sustentação simbólico: ao fotografar de perto, com intimidade, essas artistas oferecem espelhos afetivos às suas comunidades, reparando, por meio das imagens, frequentemente invisibilizadas em narrativas hegemônicas. Assim, a exposição se configura como um espaço onde técnica, cultura e emoções não se chocam, mas se entrelaçam como vetores de resistência e inscrição psíquica no território amazônico.

Vai lá conferir, está sensacional!

Quem são Virgínia e Adelaide?Em 1937, duas trajetórias se cruzam na cidade de São Paulo e reorientam a história da psica...
11/06/2025

Quem são Virgínia e Adelaide?

Em 1937, duas trajetórias se cruzam na cidade de São Paulo e reorientam a história da psicanálise no Brasil: a de Adelaide Koch, psicanalista judaica alemã que fugiu da perseguição nazista e se tornou a primeira analista credenciada pela IPA em solo brasileiro, e a de Virgínia Leone Bicudo, socióloga e a primeira psicanalista negra, também foi uma das primeiras pesquisadoras sobre racismo em nosso país e a primeira profissional não médica aceita como membro na comunidade psicanalítica nacional.
Essas mulheres desafiaram barreiras de gênero, raça e classe. Pois, naquela época, a psicanálise era percebida — não diferente de hoje — como um reduto de elites e pequenos círculos intelectuais, o que, por sua vez, validava a crença de que se tratava de uma forma de conhecimento privilegiada e predominantemente masculina.

Por que relembrar essa história importa?

Porque, ao revisitar essas trajetórias, além de resgatarmos a importância dessas duas mulheres, buscamos elaborar que, o apagamento de Virgínia Leone Bicudo e Adelaide Koch na história da psicanálise brasileira decorre da interseção de gênero e, especialmente, de raça.

Por serem mulheres em um campo dominado por homens brancos, ambas tiveram seus nomes pouco visibilizados; no entanto, Virgínia, por também ser negra, sofreu um apagamento ainda mais intenso. Essa combinação de misoginia e racismo excluiu suas trajetórias dos registros oficiais, favorecendo narrativas que valorizam vozes masculinas, brancas e eurocêntricas.

A ausência de referências a essas duas mulheres (e, sobretudo, à trajetória construída por Virgínia) faz com que estudantes de psicanálise (e muitos psicanalistas) desconheçam que houve uma importante interlocução negra e feminina desde as décadas iniciais do movimento psicanalítico nacional.

Resgatar Virgínia e Adelaide é reconhecer a força de mulheres marginalizadas que, juntas, lutaram para que fosse possível uma psicanálise com dimensão social e antirracista no Brasil.

É nessa psicanálise que acreditamos!

Relembrando o nosso seminário clínico com os comentários de quem compôs a nossa mesa em uma manhã de trabalho no sábado....
10/06/2025

Relembrando o nosso seminário clínico com os comentários de quem compôs a nossa mesa em uma manhã de trabalho no sábado.

Já estamos organizando o próximo evento! Fiquem de olho. 😉

Ney Matogrosso participou de perto da cinebiografia que desnuda sua trajetória até os dias de hoje. Com olhar penetrante...
06/06/2025

Ney Matogrosso participou de perto da cinebiografia que desnuda sua trajetória até os dias de hoje. Com olhar penetrante e desafiador, Jesuíta Barbosa encarna Ney com a fúria e o sangue latino que atravessam a existência de um corpo que encara a câmera mesmo quando não deve, e encara a vida nos olhos - vida seca, bruta, mas que também é palco do prazer.

Como lidar com o corpo desejante?

Durante o filme, múltiplas vezes, personagens secundários se inquietam diante da forma como Ney se apresenta. Quadris em movimento, maquiagem, voz cortante, gesto transgressor - é fato que Ney desafiava as normas, a ditadura, a moral. Usava o corpo como manifesto e se armava com a sua voz, roupas, dança e presença.

Hoje, mais do que nunca, a neutralidade (impossível) precisa dar lugar ao corpo posicionado. Corpo que Ney apresenta com maestria, que não apaga a própria história, mas que rasga a norma e traça caminhos.
É na contramão da opressão que se faz a linguagem e é na coragem de ter o desejo como palco do existir que muitos encontram o primeiro passo.

Ney Matogrosso não é apenas Homem com H e Artista com A: é também símbolo e espelho. Sua história expõe as dores, as lutas e as vitórias de quem existe em forma de resistência.

O desejo é corpo, é político.
É revolução.

Entre encontros e escutas, seguimos construindo espaço.Esses registros guardam fragmentos do que já vivemos – e abrem ca...
03/06/2025

Entre encontros e escutas, seguimos construindo espaço.
Esses registros guardam fragmentos do que já vivemos – e abrem caminho para o que ainda está por vir.

E de onde vem o nome?Aquele pequeno sinal, uma mancha numa superfície uniforme, que denuncia a presença de algo que fico...
30/05/2025

E de onde vem o nome?

Aquele pequeno sinal, uma mancha numa superfície uniforme, que denuncia a presença de algo que ficou — uma substância que tinge, suja e deixa seu rastro.

É nessa mancha que resiste, que o sujeito pode reinventar narrativas, bordar novos sentidos e novas reinvenções subjetivas.

A gente trabalha com o que f**a.
Nódoa é o que resiste.

Vem aí um encontro para pensar a psicanálise atravessada pela diversidade e seus desafios na formação clínica contemporâ...
12/05/2025

Vem aí um encontro para pensar a psicanálise atravessada pela diversidade e seus desafios na formação clínica contemporânea.

O seminário clínico “Psicanálise, diversidade e formação” será promovido pela Clínica da Diversidade, projeto de extensão do UniBH, em parceria com a Una e com o coletivo Nódoa: Psicanálise e Diversidade.

O evento será gratuito e presencial, como emissão de certif**ado. Para se inscrever, basta acessar o link na bio!

Local: Auditório Una Linha Verde (Av. Cristiano Machado, 11157 - Vila Suzana)

Vem aí um encontro para pensar a psicanálise atravessada pela diversidade e seus desafios na formação clínica contemporâ...
12/05/2025

Vem aí um encontro para pensar a psicanálise atravessada pela diversidade e seus desafios na formação clínica contemporânea.

O evento é on-line, gratuito e realizado, em parceria com o Nódoa, pelas universidades UniBH e Una.
Para se inscrever, é só acessar o link na bio.

Evento com emissão de certif**ado!

Endereço

Belo Horizonte, MG

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