19/03/2025
Alunos da turma 28 do curso de Medicina da UFRR entraram em contato com o CAMED e solicitaram a publicação da seguinte nota de repúdio:
NOTA DE REPÚDIO
Nós, alunos do curso de Medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR), manifestamos nosso profundo repúdio à decisão da Coordenação do curso de realizar sorteio para a formação dos grupos de internato, quebrando uma tradição consolidada há 27 turmas. Sabemos os motivos pelos quais essa decisão foi tomada e a coordenação simplesmente ignora a presença de um aluno com condutas não apenas incompatíveis com a UFRR, mas com a medicina, possui postagens em suas redes sociais com teor ra***ta, homofóbico, xenofóbico e outras manifestações de intolerância. A Coordenação valida um comportamento que vai contra os princípios éticos da profissão médica, contra o ordenamento jurídico e desconsidera o impacto negativo dessa medida sobre toda a comunidade acadêmica.
Mais do que uma mera questão de costume, essa decisão ignora a realidade de muitos alunos que dependem dessa estrutura para viabilizar sua formação. A coordenação do curso deixa de olhar por aqueles a quem a Universidade Federal de Roraima se propôs, seja por força da lei ou não, a abraçar. O curso de Medicina da UFRR possui 80 vagas por turma, das quais pelo menos 24 são ocupadas por estudantes de baixa renda, que compartilham caronas, moradia e demais recursos essenciais para concluir sua trajetória acadêmica. Ao impor essa mudança arbitrária, a Coordenação não apenas desconsidera essas dificuldades, mas também compromete a qualidade da formação dos futuros médicos, prejudicando a organização e o desempenho dos estudantes.
A realidade do internato médico exige dedicação exclusiva dos alunos. A carga horária do internato é de 40 horas semanais, distribuídas de domingo a domingo, com plantões que, a depender do rodízio, é exigido que cheguemos às 06:00 da manhã ou sair próximo de meia-noite. Além disso, a decisão da Coordenação expõe os alunos, principalmente as mulheres, a um risco desnecessário, ignorando a realidade da violência urbana e o direito básico à segurança.
(continua nos comentários)