04/11/2020
JUSTIÇA POR MARI FERRER
Via Movimento de Mulheres Olga Benário
O caso de Mariana Ferrer, ocorrido em dezembro de 2018, teve seu processo marcado por trocas de delegados, promotores, sumiço de imagens das provas, mudança de versão do acusado. E devido à falta de uma sentença justa, levou Mariana a divulgar o caso na mídia, denunciando a justiça que defendeu do empresário contra a vítima. André de Camargo Ar**ha, empresário de grandes ricos, como ex-jogadores de futebol, teve sua sentença final julgado por estupro culposo (sem intenção de estuprar), um crime que nem existe na lei.
André, dono da boate onde aconteceu o estupro, contratou o advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho, o mais caro de Santa Catarina para se defender. Recentes imagens, divulgadas pelo The Intercept Brasil, mostram partes do julgamento, onde este advogado expõe fotos de Mariana para questionar sua virgindade antes do estupro, dizendo que "jamais teria uma filha do nível de Mariana". O advogado ainda acrescenta que o choro de Mariana é falso e acusando a vítima de usar do caso para se promover. Mariana responde: "eu tô implorando por respeito, nem os acusados são tratados do jeito que estou sendo tratada, pelo amor de Deus, gente. O que é isso?"
O mínimo que exigimos: RESPEITO. Mariana foi estuprada, vive o pesadelo desse processo há quase 2 anos, além dos ataques que tem recebido ao levar o caso às suas redes.
Precisamos exigir justiça para a Mari Ferrer! Precisamos exigir justiça para as vítimas de estupro e violência! Precisamos transformar o Judiciário para que seja instrumento das vítimas!
(Nota do Movimento de Mulheres Olga Benário)
O caso da Mariana Ferrer não é um caso isolado. São muitas mulheres que tem suas vozes silenciadas. Mulheres são humilhadas, violentadas e mortas apenas por serem mulheres! Precisamos mais do que nunca estarmos juntas para defendermos o básico: os nossos corpos e os nossos direitos. Precisamos reivindicar o fato dos nossos corpos femininos serem marcado e usado como se fosse algo normal. Sabemos que essa situação se agrava ainda mais com os corpos negros, pobres e trabalhadores que são julgados pela lógica do capital que inocenta o agressor para manter esse sistema opressor vigente.
Não é normal viver em um país que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada! Não é normal viver em um país que apresentou uma sentença afirmando que um estupro pode não ter sido intencional! Não é normal o julgamento ser realizado apenas por homens, enquanto a vítima que foi questionada sobre a veracidade da denúncia (mesmo mediante a provas concretas) era uma mulher.
O coletivo Vênus se solidariza a vítima, seguimos em luta pela vida das mulheres!