07/01/2022
Trotula di Ruggiero foi uma autoridade na tradição da medicina das mulheres no Ocidente feudal. Viveu entre os séculos XI e XII, na cidade de Salerno, no sul da Itália, e foi membro da ilustre Escola Médica Salernitana, onde ensinou e participou ativamente da vida intelectual, a mais famosa entre outras mulheres dessa escola, chamadas de as Damas de Salerno.
Tratadista, escritora, professora, médica, filósofa e cientista, dedicou-se ao estudo da natureza feminina e foi a primeira física a apresentar uma completa categorização das doenças das mulheres.
Preocupações muito próprias da Idade Média, a reprodução, a gravidez e o parto foram temas sobre os quais refletiu à luz da medicina de Hipócrates e Galeno, dentro outras tradições médicas. Mas, Trotula preocupou-se também com o desejo sexual feminino, ou com as consequências da perda da virgindade, apresentando, com suas fórmulas médicas, soluções para ambos.
Com autoridade, construiu o discurso feminino acerca do próprio corpo e das verdades sobre sua sexualidade. É atribuída à Trotula a autoria de dois tratados, um sobre ginecologia e obstetrícia, outro dedicado à dermatologia e cosmetologia.
Até o século XVI, sua obra foi continuamente copiada, recopiada, traduzida para importantes línguas vernáculas e citada por ilustres tratadistas e acadêmicos, nunca tendo sido questionada a autoria feminina da mesma, algo que passa a acontecer na Idade Moderna.