28/03/2025
Em nossa Aula Inaugural contaremos com a ilustre presença de Dirce Waltrick do Amarante, com sua palestra entitulada "Homem e máquina: uma parceria de futuro?"
Professora, ensaísta, tradutora e escritora.
Traduziu Edward Lear, James Joyce, Eugène Ionesco, Gertrude Stein, Leonora Carrington e Cecilia Vicuña. Publicou, entre outros, Metáforas da Tradução (Iluminuras). Venceu o Prêmio Jabuti na categoria Tradução com a tradução coletiva de Finnegans Wake, sob o título Finnegans Rivolta.
"Hoje ninguém precisaria de um Senhor Castelo (ainda que existam alguns), protagonista do conto “O homem que sabia javanês” (1911), de Lima Barreto, que começa sua carreira sendo contratado para traduzir um livro de uma língua que desconhece, o javanês. As plataformas de inteligência artificial podem substituí-lo com grande facilidade, e os leitores, que desconhecem javanês, talvez fiquem tão impressionados com a tradução da máquina quanto a elite intelectual ficava com o talento de Castelo. A tradução da máquina certamente será mais precisa do que a encenação da personagem de Lima Barreto. Mas até que ponto, no que tange à tradução literária, a máquina é capaz de reproduzir o estilo do autor traduzido? As traduções feitas por inteligências artificiais, acredito, ainda precisam da revisão final de um tradutor humano, que conheça a língua de partida, a língua de chegada e as características da escrita do autor que será vertido. Essa parceria entre homem e máquina parece ser o futuro. Será mesmo?"