08/05/2017
O Centro Acadêmico de Biologia, o Centro Acadêmico de Medicina, o Coletivo Negrex de Estudantes Negros e Negras da Medicina UnB e o Coletivo Feminista Rita Lobato, juntamente com os estudantes que representam, declaram total insatisfação com as ações exercidas pela Reitoria e Prefeitura da Universidade de Brasília na última semana do mês de abril. Consideramos essas ações violentas e contra a liberdade de expressão, não condizentes com as propostas apresentadas durante o período de eleitoral.
Recentemente, os seguranças da própria Universidade rondaram o Campus Darcy Ribeiro e adentraram os Centros Acadêmicos Estudantis, exigindo dos estudantes suas carteirinhas para a comprovação de serem ou não estudantes da UnB. Em especial, foram ao Diretório Negro Quilombo de forma repetida nos últimos meses, fazendo ameaças, muitas vezes pessoais, aos estudantes negros que ali estavam. Nessa última semana, chamaram a Polícia Militar para dentro do Campus, os quais levaram um estudante preso. O Quilombo, que recebeu a então candidata a Reitoria durante as eleições, é o mesmo que vem a meses recebendo forte repressão e nenhum apoio.
Apesar dos representantes da Universidade de Brasília negarem a presença do preconceito nos atos realizados recentemente, o racismo institucionalizado no Brasil não é surpresa, em especial em um ambiente extremamente elitizado e com corpo docente e discente predominantemente brancos. O nosso dever, tanto como estudantes da Universidade, mas também como cidadãos, é mostrar nossa indignação com o ocorrido e nos solidarizar com todos aqueles que sofrem tanto desrespeito. A Universidade é pública, deve ser plural e não um espaço elitizado e exclusivo.
Nesta mesma semana, ocorreram três casos de tentativa de estupro nos banheiros femininos da Universidade. No momento em que os seguranças, a mando a Reitoria e Prefeitura, se preocupavam em embranquecer ainda mais a UnB, as mulheres passavam por momentos de tensão e violência. Ao contrário do esperado, as ações da Reitoria e Prefeitura se voltaram para pintar sobre as manifestações dos estudantes nas paredes do ICC, quando existem tantos banheiros femininos com a tranca quebrada. É de espantar que nenhum esforço tenha sido feito para a proteção e suporte das mulheres após o acontecido, diferentemente quando os seguranças hostilizaram os estudantes negros dentro de seus Centros Acadêmicos e diretório.
Nos resta a indignação após presenciarmos estes fatos dentro de nossa Universidade. Questionamos como existe disponibilidade e disposição para pintar as paredes do ICC, enquanto as alunas sofrem com o medo de serem abusadas dentro do campus e um lugar para reflexão e luta do povo negro vem sendo duramente repreendido pelos seguranças da própria instituição. Mostramos ainda nesta nota a solidariedade aos envolvidos nos casos citados, deixando claro que têm nosso apoio para futura articulação. Pedimos, ainda, que tanto a Reitoria como a Prefeitura se pronunciem sobre os fatos, além tomar as devidas ações, se desculpando e redimindo da maneira correta e legal.