30/04/2017
UnB 55 anos: o projeto vanguardista caminha junto com a interdisciplinariedade?
A Universidade de Brasília está comemorando 55 anos de existência e, nesse ano, ressalta a “ciência e ousadia” como palavras que resumem a sua história. Desde Darcy Ribeiro a “universidade semente” tem o papel de contribuir para o desenvolvimento do País com suas reflexões, atender às necessidades sociais brasileiras e gerar produção de conhecimento científico de vanguarda.
A Associação de Pós-Graduandos Ieda Delgado não poderia deixar passar essa data e expressar a honra e a felicidade que é fazer parte dessa história.
Nossa gestão hoje representa mais de 10 mil estudantes da pós-graduação lato sensu e stricto sensu. Quebramos as barreiras de gênero, raça e classe, para melhor compreender a nova formatação do que é a universidade necessária. Buscamos força e resistência na figura de Ieda Delgado - estudante morta no período da ditadura militar - para continuar lutando pelos ideais de Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira.
Conseguimos perceber que os caminhos para a produção de conhecimento científico não devem estar limitados a seus respectivos departamentos e disciplinas acadêmicas e sim avançar de maneira interdisciplinar. O diálogo é mais do que necessário, a inteligência da complexidade é uma evidência global e a formação de profissionais e intelectuais para nosso país para além das fronteiras do pensamento é mais do que desejável, ela é necessária. Isso é o que vemos com a criação de programas interdisciplinares na Universidade de Brasília que muito nos honra e que segue a missão vanguardista da Universidade de Brasília – esses são os casos do PPG-ELA (Estudos Comparados sobre as Américas); do PPG-DSC (Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional), do PPG-PDS (Desenvolvimento Humano e Saúde); o PPG-Agronegócios; do PPG-DS (Desenvolvimento Sustentável); do PPG-Bioética e do PPG-Metafísica, somente para citar alguns. Todos tem reivindicado produções interdisciplinares como resposta à ciência de ponta, comprometida com o desenvolvimento global e com a mudança da natureza do trabalho em pleno século XXI.
Em decorrência disso, muito nos entristece presenciar debates que restringem a formação de profissionais-intelectuais e a pesquisa a campos científicos bem delimitados como era feito no passado. Acreditamos que os argumentos apresentados para o fechamento do Programa de Pós-graduação de Metafísica, encerrando-o no campo de estudos/departamento da filosofia, constituem um retrocesso na Universidade, tanto com relação à redução da oferta de vagas para pós-graduação, quanto à departamentalização das pesquisas, em prejuízo do diálogo entre diferentes saberes.
Definimos que o papel da Universidade, além de consagrar o tripé: ensino, pesquisa e extensão, precisa possuir como principio a busca pela maior integração entre as fontes de conhecimento. A UnB em seu projeto inicial não nasceu com muros para a sociedade, porque então precisamos criar muros dentro da própria ciência?
Nesse sentido, a APG da Universidade de Brasília valoriza as diferenças, não apenas de identidades, mas também de perspectivas/visões de mundo, que podem se convergir com vistas a uma sociedade mais inclusiva.
Acreditamos e defendemos a necessária construção de programas de pós-graduação que incluam as cotas raciais, sociais e indígenas, e que demonstre respeito e abertura aos estudantes estrangeiros, principalmente os do continente Africano e da América Latina.
Com o objetivo de romper as barreiras, a APG Ieda Delgado segue na luta por um ensino inclusivo e transdisciplinar.