08/03/2022
A nossa primeira publicação da semana vem trazer um pouco da pesquisa de tese (SMITH-SANTOS, 2019). Nela realizamos a etnografia de mulheres marajoaras, dentre elas, mulheres negras. Na pesquisa, identif**amos que, no caso das mulheres negras, tiveram trajetórias que evidenciavam um triplo silenciamento, ou mesmo, uma tripla subalternização, por serem mulheres idosas, negras e, ao mesmo tempo, estarem em situação de vulnerabilidade social. Umas das falas mais marcantes na pesquisa de tese foi da D. Jesus, idosa de 82 anos, narrativa que usei como epígrafe da tese. Segue um trecho:
“Porque para mostrar para certas pessoas, não de orgulho, de pavulagem, que a gente sendo mulher, tendo fé em Deus, a gente trabalhando, tendo um sonho, pode até custar, mas aquele sonho um dia se realiza. Eu queria ter a minha casa, que fosse bonita, fosse feia, mas era à custa do meu trabalho, do meu suor. Eu só queria assim coisa básica: o meu fogão, a minha geladeira e a minha televisão e graças a Deus em pouco tempo eu tive.” (D. Jesus, junho de 2018).
D. Jesus, dentre tantos problemas sofridos na sua vida, foi uma mulher que lutou muito ao buscar trabalho para a sua sobrevivência e de seu filho após sua separação e batalhou para construir sua casa. Com esse trecho quero refletir a importância de lutas de muitas mulheres que, em busca de melhorias de vida, ou de seus sonhos, foram superando dificuldades referentes à violência doméstica, à discriminação racial, à exploração de sua força de trabalho e, por vezes, resistiram diante de atitudes machistas pelas quais foram submetidas, questões essas que perpassam pelo debate de gênero.
Parabéns d. Jesus, pela linda trajetória de luta!