19/12/2025
Para alguns, isso pode parecer fora de época. Um post atrasado, um gesto deslocado no calendário. Mas consciência não deveria obedecer a datas marcadas em vermelho. Quando ainda precisamos que o mundo nos avise quando lembrar, é sinal de que esquecemos como lembrar sozinhos. Há histórias que insistem em existir, todos os dias.
Estive na 1ª Feira da Afro Essência, em Cachoeirinha, com a câmera na mão e o olhar atento. Fui convidado por , à frente da escola de dança .criativus, alguém que não espera o momento ideal, cria o próprio chão e faz acontecer.
O Afro Essência nasceu da visão e de uma coragem silenciosa que merece ser dita em voz alta. Como aliado da luta antirracista, aceitei de imediato. Algumas coisas não se pensam demais, se sentem.
O que aconteceu ali foi mais do que um evento. Foi maturidade e lucidez. Enquanto o mundo lá fora repetia velhos erros, vistos em notícias duras e episódios como o ataque sofrido por , ali dentro se construía algo real. O Rio Grande do Sul, que demorou a reconhecer a importância dessa data, mostrou que essa resistência pode virar cultura e troca.
Tudo se apresentou de forma plural e viva. Um dos momentos mais fortes foi a roda de conversa sobre cultura e vivência preta em nossa cidade.
abriu um baú antigo, cheio de memórias, como uma caixa de sapato repleta de lembranças fotográficas.david2212 trouxe pautas urgentes da Promoção da Igualdade Racial.
falou dos desafios de ser comunicador, empresário e carnavalesco.
lembrou que a periferia pensa, se organiza e resiste.
compartilhou a travessia de ser mulher preta na gestão pública.
A presença da Primeira-Dama e do Prefeito reforçou que a Afro Essência não é detalhe, é potência reconhecida.
Obrigado, Lu, pela confiança. Parabéns a todos que dividiram suas vivências. O público dizia muito: pessoas de todas as idades, etnias e orientações, ocupando o mesmo espaço e construindo algo maior que um dia no calendário.