21/05/2019
Transfeminismo
Antes de tudo, para falar de Transfeminismo, precisamos esclarecer alguns pontos de sexualidade e etc.
Cis gênero: é aquelx que se identifica com o seu gênero atribuído ao nascimento. Se eu nasci com uma va**na, me é imposto que sou mulher, e eu me aceito assim (não quer dizer que uma mulher cis aceita o machismo que sofre).
Transgênero: termo “guarda-chuva”, engloba travestis, transexuais, não-binários, e todxs aquelxs que não se identificam com o gênero de nascimento.
O prefixo “trans” pode ser definido como “do outro lado”, ou seja, está além do seu gênero. Mulheres que nascem num corpo masculino, homens que nascem num corpo feminino, e ninguém se sente confortável naquele corpo, órgão, aparência, e papel social pré-designado.
Orientação sexual: desejo sexual de cada indivíduo (hétero. bi, homo, etc). Trans podem ser hétero, bis, g**s, agêneros, etc.
Agora que já estamos entendidos, podemos falar da luta das mulheres trans, e em como é triste ver o feminismo excluindo irmãs.
A transsexualidade só foi deixou de ser tratada como doença mental pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em junho de 2018!! Ou seja, há menos de 1 ano atrás, ser trans era considerado doença.
90% da população trans está na prostituição, por não ter oportunidade na área de trabalho, e quando tem, são em cargos com baixa remuneração, sem benefícios, direito de crescimento e são diariamente humilhadas.
Mulheres trans são as principais vítimas de crimes bárbaros, levando a uma expectativa de vida de 35 anos, enquanto a média nacional é de 75 (IBGE 2019).
De toda a população LGBT, pessoas trans correm mais risco de suicídio.
O Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos transsexuais. 868 entre 2008 a 2016, 163 em 2018, sendo que 83% dos crimes são cruéis (Transgender Europe- TGEu).
A troca de nome e gênero na certidão de nascimento e afins só foi regulamentada em Junho de 2018 (no Brasil).
Mulheres trans têm de se provar mulher 4x mais; têm de lutar pelo direito de usar um banheiro público; lutar pelo direito de ocupar o espaço público; lutar pelo direito de ocupar um cargo profissional; lutar pelo direito de ser chamada como quiser, de ser quem é.
Têm de passar pela transfobia, homofobia, machismo, racismo; de não poder ser um homem e não poder ser uma mulher. De ser expulsa de casa por não se sentir bem consigo mesma, não ser ela naquele corpo, pela disforia (um sentimento de prisão no corpo que não é seu, uma discordância entre o s**o e o sentimento interno).
E já é triste demais mulheres trans não serem aceitas em casa, no trabalho, no banheiro, no bar, na escola, na faculdade, na família dx namoradx, pelx namodx, na tv, nas notícias, nas filas, nos bancos; mas também não serem aceitas no refúgio de todas as mulheres: o feminismo.
Apesar dos recortes, estamos todas na m***a, porque excluir? Demos as mãos e vamos juntas; tentando e entendendo, se ajudando, se apoiando e tropeçando, a luta é de todas nós, e todas nós queremos (e vamos) vencer, mas isso só acontece se formos juntas.
Recortes são importantes SIM, mas não tem coisa mais triste do que ver mana excluindo outra por puro feminismo branco burguês cis e cego. Vamos abrir os olhos e dar as mãos, precisamos umas das outras mais do que nunca