13/03/2015
"Essa luta não é apenas das mulheres, mas dos grupos excluídos e desiguais, sejam raciais, imigrantes, culturais, etc. Essa desigualdade de direitos se reflete em desigualdades socioterritoriais e a luta por direitos transpôs-se à luta pelo direito à cidade e pelo direito à moradia." Paula Freire Santoro.
A cidade que a gente quer não segrega a mulher!
"Essa luta não é apenas das mulheres, mas dos grupos excluídos e desiguais, sejam raciais, imigrantes, culturais, etc. Essa desigualdade de direitos se reflete em desigualdades socioterritoriais e a luta por direitos transpôs-se à luta pelo direito à cidade e pelo direito à moradia." Paula Freire Santoro.
Acreditamos que possuir esse direito significa poder vivenciar, intervir, dialogar com o espaço público, através de uma relação de trocas e descobertas.
Mas como tem sido a vida das mulheres nas cidades?
Ser mulher é perigoso! Somente em dois anos, entre 2009 e 2011, quase 17 mil mulheres morreram por conflitos de gênero, o chamado feminicídio, que acontece pelo fato de ser mulher. Ou seja, 5.664 mulheres são assassinadas de forma violentada por ano ou 15 a cada 90 minutos.
Preconceito mata – e muito – no Brasil. A discriminação por cor, gênero e orientação sexual ainda é um problema endêmico do país. O nosso estado ocupa a 6º colocação entre estados mais perigosos para homossexuais, a 5º para negro e para mulheres.
O papel da mulher tem sido ainda secundário em nossa futura profissão, tanto como profissionais arquitetas e urbanistas por muitas vezes invisibilizadas, quanto como seres humanos, a quem se destinam os esforços de um bom planejamento.
Nas margens de nossa estrutura social, mulheres da periferia e sobretudo as mulheres negras travam lutas diárias de sobrevivência e contra as mais diversas frentes de opressão do machismo nosso de cada dia.
O CAUS não deseja um feliz dia internacional das mulheres, desejamos cada vez mais emponderamento e resistência, das lavadeiras de Casa Amarela, das mulheres que lutam por habitação nas ocupações urbanas da avenida Sul e em outros pontos da cidade, das mulheres abusadas no caminho de ida e volta da escola na Índia ou na integração da Macaxeira, das mulheres que escolhem com quem tr***ar e que gozam no s**o, sozinhas ou acompanhadas, das mulheres que ocupam o Cais José Estelita, das mulheres que não se conformam com o Recife patriarcal, das mulheres que puxam lutas nas periferias, das mulheres que constroem uma cidade sem segregação todos os dias com muita garra.
Foto: Felipe Larozza