27/05/2016
A GESTÃO 6 do Diretório Acadêmico de Biomedicina ASCES vem, em nome de todos os seus integrantes, repudiar o ato de violência coletiva ocorrido esta semana, contra uma adolescente, no Rio de Janeiro. Vem mais! Vem repudiar todos os atos de violência direcionados às mulheres e homens desse mundo. Porém, acima de tudo, vem reafirmar a necessidade de percebermos que este não é um simples crime de violência, mas um crime fruto da cultura machista na qual estamos inseridos desde o nosso nascimento. Não podemos calar diante dos números:
- 1 em cada 3 mulheres sofrerá agressão pela sua simples condição de mulher, no mundo;
- A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil;
- Todos os dias, milhares de mulheres são assassinadas por seus familiares ou companheiros, no mundo inteiro.
Não há como dizer que é uma violência comum. É violência contra o gênero feminino.
Quantos meninos caíram na rede, porque enviaram nudes ao namorado?
Quantos meninos tiveram suas relações se***is expostas?
Quantos meninos foram forçados a beijar no carnaval?
Quantos meninos são dopados ou embriagados e obrigados a fazer s**o?
Quantos meninos voltam pra casa com medo de ser estuprados?
Quantos casos de mães que estupraram seus filhos vc conhece?
Quantos meninos têm a virgindade vendida para um político ou para fazer de seus filhos "homens", em rituais de passagem absurdos e desumanos ?
Quanto meninos foram violentados por 33 meninas até sangrar?
Não é sexismo. É defesa dos direitos humanos, é olhar para as oprimidas e para os oprimidos do mundo inteiro. Vivemos numa sociedade onde a força vence o diálogo e imprime regras que inferiorizam a mulher: vivemos menos, ganhamos menos, no Oriente Médio somos apedrejadas, na Índia somos queimadas com ácido, na África somos circuncidadas, no México somos assassinadas e jogadas no lixão, no Brasil somos estupradas coletivamente. Na verdade, todos esses casos se repetem em todos os lugares, numa ciranda sórdida de poder e violência.
A opressão de gênero mata mulheres e homens. Quantos homens morrem de câncer de próstata em virtude do machismo? Quantos homens vivem infelizes para assumir um comportamento "socialmente aceitável" ? O feminismo não é apenas sobre igualdade de direitos, mas é por mais respeito e amor entre todas as pessoas, entre todos os gêneros, s**os, classes e raças.
É um momento de profunda reflexão. Momento de praticar a empatia e reavaliar a sociedade que queremos, com o objetivo de modificarmos a que temos. E isso perpassa a educação de maneira ampla, como perpassa também nossa ação como professores de Educação Física, de homens, meninos, meninas e mulheres, afinal nosso campo de trabalho e reflexão é o corpo, o corpo em todas as suas possibilidades. Somos irmãs, mães, filhas, pais, irmãos, filhos e somos humanos. Pelo menos, deveríamos sempre ser.