11/05/2026
De
"Em "The Story of Capital" (2026), o geógrafo David Harvey volta a Marx, mas polemiza com parte de seus seguidores. Seu diagnóstico: o marxismo acadêmico negligencia o setor FIRE — Finanças, Seguros e Imobiliário — como se juros e extração de renda fossem problemas secundários diante da dinâmica do trabalho assalariado. Harvey não comete esse erro. No capítulo "O Retorno do Rentista", argumenta que o capitalista industrial agora se submete ao poder de monopsônio de gigantes do comércio (Walmart, IKEA) ou ao poder monopolista dos financistas, enquanto proprietários de terras e recursos minerais extraem sua parte onde podem.
Harvey mapeia a história do capital como uma espiral de acumulação infinita de uma "massa monstruosa" de valor. Entre 1950 e 2011, o PIB global saltou de US$9,25 trilhões para US$94,9 trilhões — crescimento exponencial insustentável que compromete a própria existência da humanidade no planeta. A crise de 2007-2009, para Harvey, não se reduz à "queda da taxa de lucro": a indústria farmacêutica dos EUA, por exemplo, obtém seus lucros de preços monopolistas extorsivos, não da exploração da força de trabalho. O recuo do capitalismo industrial para a economia de renda e juros exige uma reconsideração de O Capital — e Harvey a oferece de forma acessível, sem perder rigor".
Por Ann Pettifor
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