Essa é uma página de divulgação de um trabalho entre uma parceria entre UFMT/UERJ e Laço Analíitico Escola de Psicanálise, resultado de um processo de doutoramento focado na atenção psicossocial com moradores de rua. Este polo de pesquisa/extensão e ensino opera uma escuta analítica no Beco do Candeeiro junto a moradores de rua, fundamentalmente usuários de crack e outras drogas. O trabalho tem co
mo estrela-guia a estátua da chacina do Beco do Candeeiro - (1998) Jonas Correa - e a história que à orbita, chaga aberta no coração histórico da cidade uma estátua invisível de vidas invisíveis. Pra ver a estátua é preciso estar a pé e ouvir o que essa gente que circula por ali fala de suas vidas miseráveis e do conflito de vida e morte cotidiano com a polícia. A hostilidade da população carregada de uma ideologia fascista autoriza e enaltece toda a sorte de violência contra essa população. Estamos diante da segregação em massa da população negra e parda desse país. Ao avesso do que ouvimos cotidianamente sobre os direitos das minorias, é de uma maioria que se trata. Da maioria pobre e parda desse país expropriada até de sua dignidade humana pelo capitalismo. A psicanálise demonstra que a escuta do testemunho das existências possibilita a elaboração de saídas singulares. Assim, trata-se de sustentar uma retaguarda para esses refugiados de guerra (guerra às drogas), sustentar uma fala em nome próprio que autorize essa população como cidadãos de direitos, direitos que precisam ser assegurados pela via do Laço Social. É preciso ajudar essas pessoas a se conectarem com os lugares aonde elas podem ter ajuda! Essas conexões são, sobretudo, discursivas, ou seja, na medida em que esses sujeitos seguem falando, escutados por um que sustenta a escuta (o analista), os mesmos podem tomar a responsabilidade por poderem fazer alguma outra coisa pela sua própria vida.