03/11/2025
As palavras dos poetas durante o Holocausto, além de confrontar a morte diante do insuportável, ressoam como chamados à vida. São força, convites contra o silêncio. Traduzir essas vozes é mais do que transpor uma língua, é um ato de memória e escuta.
A mesa “Poesia e Tradução” propõe um diálogo sobre os limites e as possibilidades de traduzir o indizível. Participam Danielle Oliveira, tradutora do livro “Coletânea Floral”, de Selma Merbaum, e Piotr Kilanowski, tradutor de “O que eu lia para os mortos”, de Władysław Szlengel. A mediação é do artista, professor e pesquisador interdisciplinar Francisco Mallmann.
Selma Merbaum faleceu aos 18 anos, em um campo de concentração nazista. Antes de ser deportada, reuniu sua criação poética em um álbum dividido em capítulos nomeados com flores, enviado a um amigo com a anotação: “Não tive tempo de terminá-los”.
Władysław Szlengel, preso no Gueto de Varsóvia, assumiu o papel de “cronista dos homens afogados”, registrando em versos o seu sofrimento e daqueles que o cercavam. O livro "O que eu lia para os mortos", além das prosas e poesias escritas no Gueto por Szlengel, conta com textos de Carlos Reiss, Coordenador Geral do Museu do Holocausto de Curitiba, Marcelo Paiva de Souza, Professor de língua e literatura polonesa da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e tradutor, Emanuel Ringelblum, responsável pela criação do Arquivo do Gueto de Varsóvia, e Piotr Kilanowski, tradutor do livro e responsável por sua organização e notas.
➡️ Danielle Oliveira é jornalista, pesquisadora e tradutora. Em 2020, recebeu a distinção “Neu Start Kultur” do Deutscher Übersetzungsfonds pela tradução de “Coletânea Floral”.
➡️ Piotr Kilanowski é professor de Língua e Literatura Polonesa na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e atua também como tradutor, com foco em poesia.