08/02/2020
A gestão Cerne, a frente do Centro Acadêmico de Medicina Mario de Abreu, o CAMMA, vem a público declarar repúdio a uma declaração feita por um estudante de Medicina, de outra instituição, em uma propaganda da PUCPR. A propaganda em questão, cujo tema se baseia na pluralidade, centralizava um estudante de etnia amarela, que por fim recebeu o infeliz comentário do tal estudante: “E pegar coronavírus ?”. Apesar de pequeno, esse comentário carrega uma imensa carga de preconceito, xenofobia, desinformação, falta de humanidade e o primordial: o despreparo para seguir uma carreira que, em suma, trata-se do cuidado.
Gostaríamos de lembrar sobre o que a ciência sabe sobre a epidemia do novo Coronavírus. O surto teve a sua primeira manifestação na cidade de Wuhan na província de Hubei na China. Os casos que se espalharam pelo mundo foram de pessoas que estiveram nessa área. Isso é tudo que artigos e estudos feitos até hoje nos dizem sobre a doença, ou seja, ainda não se sabe como o vírus adquiriu grandes condições patogênicas ao ser humano, assim como a origem exata desse vírus. Além dos clássicos meios de transmissão de vírus que afetam as vias aéreas, ainda não se sabe outras formas de transmissão primárias ou secundárias. Tudo ainda são especulações. Infelizmente, a mídia e o senso comum, ambos enraizados nos preceitos orientais, ainda ressoam esteriótipos e ajudam a perpetuar preconceitos, os quais, como futuros profissionais da saúde, temos o dever de combater.
Nessa nuance, também gostaríamos de frisar de quão insipiente, mesquinho e ultrajante é o sentimento de preconceito, principalmente o tipo velado sob a forma de brincadeira - o preconceito estrutural. Daqui há alguns anos faremos juras de ética para outorgar grau, tal comportamento não condiz com a profissão.
Por fim, esperamos os anos restantes na academia possam ainda mostrar ao estudante valores éticos e morais de respeito, empatia, humanidade e compaixão de que tanto a sociedade espera de futuros médicos.