11/06/2026
Hoje eu quero falar sobre perdas. Não apenas como psicóloga, mas também como alguém que está vivendo esse processo. No último domingo, eu perdi um irmão muito querido. E, como muitas pessoas, tenho aprendido que a teoria não nos torna imunes à dor.
Existe uma ideia equivocada de que elaborar uma perda signif**a 'superar', 'esquecer' ou 'seguir em frente' rapidamente. Na verdade, elaborar o luto é encontrar uma nova forma de continuar vivendo enquanto carregamos conosco o amor e a saudade de quem partiu.
Na psicologia, entendemos que o luto não é uma doença e nem um sinal de fraqueza. É uma resposta natural a um vínculo importante. Quanto maior o amor, maior tende a ser o impacto da ausência.
Muitas vezes tentamos fugir da dor nos ocupando demais, sendo fortes o tempo todo ou evitando falar sobre quem se foi. Mas a elaboração acontece justamente quando permitimos que a dor tenha espaço: quando choramos, lembramos, contamos histórias, olhamos fotografias, compartilhamos sentimentos e reconhecemos que a nossa vida foi transformada por aquele encontro.
Também é importante entender que o luto não é linear. Haverá dias de serenidade e dias em que uma música, um cheiro ou uma lembrança farão a saudade voltar com intensidade. E isso não signif**a que estamos regredindo. Signif**a apenas que amamos.
Tenho acreditado, nesses dias, que as pessoas que amamos continuam vivas naquilo que construíram em nós. Nos valores que ensinaram, nas palavras que deixaram, nos gestos que aprendemos observando e no amor que ainda somos capazes de oferecer ao mundo por causa delas.
Se você também está vivendo uma perda, permita-se sentir. Não tenha pressa para f**ar bem. O luto não pede velocidade; ele pede acolhimento, tempo e conexão.
E, talvez, uma das formas mais bonitas de honrar quem partiu seja continuar vivendo de um jeito que faça sentido, levando adiante aquilo de bom que essa pessoa plantou em nossa história.
Porque a saudade é o preço do amor. E, quando existe amor, a ausência nunca será vazia: ela será preenchida por memórias, gratidão e pela certeza de que alguns laços são fortes o bastante para atravessar até mesmo a despedida.