03/05/2022
O Dia da Trabalhadora na vida das mulheres é um apelo à reflexão, à participação e, sobretudo, à ação e à transformação das nossas práticas cotidianas. É propor uma leitura menos romântica e mais concreta de como vivem as mulheres e quais as políticas públicas que estão na ordem do dia para reverter esse quadro.
O trabalho doméstico e de cuidado recai, na maioria das vezes, sob mulheres e meninas ao redor do mundo. Esse tipo de atividade é conhecido também como “trabalho invisível”, visto que não é remunerado, mas espera-se que as mulheres cumpram o papel de fazê-lo. Essa situação se torna ainda mais desigual em momento de pandemia, onde as pessoas estão mais presas ao ambiente doméstico, aumentando a sobrecarga de trabalho feminina.
Relatório apresentado pela Oxfam, publicado meses antes da pandemia (2020), aponta que as mulheres são responsáveis por 75% do trabalho de cuidado não remunerado realizado no mundo, somando, diariamente, mais de 12 bilhões de horas gastas por mulheres e meninas em todo o mundo. O dado mais impactante é que todas essas horas de trabalho correspondem a uma quantia de aproximadamente 10 trilhões de dólares por ano, cerca de três vezes mais do que o valor gerado pela indústria tecnológica, por exemplo.
Os dados são ainda mais desiguais ao olharmos para a realidade brasileira, onde os dados apontam que 85% do trabalho de cuidado é feito por mulheres. Segundo o IBGE, em 2019, as mulheres dedicavam, em média pouco mais de 21 horas semanais ao trabalho doméstico, enquanto os homens apenas 11 horas, praticamente a metade do tempo. Nos casos das mulheres que trabalham fora de casa, a desigualdade persiste: elas cumprem, em média, mais de 8 horas a mais em obrigações domésticas em relação aos homens que também trabalham fora.
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