04/08/2021
X ENABET - Encontro Nacional da Associação Brasileira de Etnomusicologia - 8 a 12 de novembro de 2021 (online)
Inscrições de trabalhos até 23 de agosto
GT 2 - Arquivos Sonoros: agencias, sentidos, movimentos
Enquanto possibilidade técnica materializada nas últimas décadas do século XIX, a gravação do som e sua reprodutibilidade têm marcado de maneira profunda o horizonte da experiência humana. Esta possibilidade está também nas bases materiais, epistemológicas e políticas que configuraram o surgimento da Musicologia Comparada, antecessora da Etnomusicologia, e tem marcado – muito além de como meras técnicas de registro – os desenvolvimentos da disciplina nos últimos 130 anos, aproximadamente. Junto a isso, o desenvolvimento da indústria fonográfica no século XX reconfigura o horizonte musical mundial, criando um cenário complexo de relações econômicas, ideológicas, estéticas e políticas que se articulam no processo de produção, circulação e consumo da música gravada. Neste processo, a escuta moderna e contemporânea se configura passo a passo com a constituição de identidades, agências, memórias, trânsitos, relações de dominação e movimentos de emancipação. Sendo instâncias importantes neste contexto, os arquivos sonoros tenderam a ter, na segunda metade do século XX, uma visibilidade relativamente menor do que a etnografia no debate etnomusicológico, e voltam, nos últimos anos, a ocupar um lugar de destaque, como foco de elaboração crítica e reflexiva, dentro da disciplina. Estudos recentes sobre o tema no âmbito da etnomusicologia tendem a acompanhar a guinada epistemológica identificada no seio das ciências sociais e humanas como archival turn – caracterizado pelo abandono da concepção de arquivo como um conjunto de documentos e objetos para a adoção de uma ênfase cada vez maior nos processos de produção de conhecimento e sentido a partir de fontes arquivísticas.
Particularmente no âmbito da chamada etnomusicologia aplicada, a ênfase em pesquisas focadas em processos de arquivamentos colaborativos e proativos, com o engajamento de diferentes comunidades no processo de documentação, organização e produção de significados sobre os registros é apenas um dos exemplos desta guinada epistemológica no âmbito da disciplina.
Este GT se propõe como um espaço de interlocução e de reflexão entre pesquisadores dedicados aos arquivos sonoros desde uma perspectiva etnomusicológica. Desta forma, são convidados a participar trabalhos que contemplem questões como: fatores políticos e ideológicos na constituição e uso dos arquivos sonoros; dimensões técnicas e epistemológicas da gravação, reprodução e arquivamento sonoro; som gravado, memória e sentidos locais; história, fluxos e trânsitos musicais; fonografia, mercado e política; arquivos e perspectivas decoloniais; processos de arquivamento colaborativos, proativos e comunitários; arquivos sonoros como práticas e processos de responsabilidade social (ODSs); a condição virtual e digital dos arquivos e as novas lógicas de escuta, uso e acessibilidade.
Organização do GT: Miguel García (CONICET - Universidad de Buenos Aires), Susana Sardo (Universidade de Aveiro), Pedro Aragão (Universidade de Aveiro - UNIRIO) e Luís Fernando Hering Coelho (Universidade Federal de Pelotas).
X ENABET | Encontro Nacional da Associação Brasileira de Etnomusicologia - Este é um evento online - segunda-feira, 8 de novembro de 2021