25/07/2025
Há datas que a história tentou encerrar, mas que o povo se recusa a esquecer.
O 14 de maio, que juraram ser de liberdade, e o 25 de julho, que insistem em transformar em símbolo, mas que ainda carrega feridas abertas.
Porque não basta um decreto pra apagar séculos de escravidão.
Porque não basta uma data no calendário pra curar o que ainda sangra na pele, no corpo, no ventre da mulher negra.
A mulher negra latino-americana e caribenha é a herdeira direta de todos os silêncios, de todas as dores, de todos os esquecimentos forçados.
Mas ela também é a que costura o amanhã com a própria força.
Enquanto uma é celebrada nos palcos e nos camarotes, outra limpa o chão da festa.
Enquanto uma debate raça e gênero nas universidades, outra cuida dos filhos de quem nunca olhou nos olhos dela.
Ambas são negras.
Ambas são potências.
Mas o mundo não as trata como iguais.
Hoje, 25 de julho, também é dia de lembrar Tereza de Benguela, que no século XVIII liderou um quilombo inteiro com coragem, estratégia e resistência.
Uma rainha negra que enfrentou o sistema escravocrata e escreveu com o próprio pulso uma história que muitos tentaram apagar.
Tereza é símbolo de luta, de liderança feminina, de futuro.
Tereza é o nome que ecoa onde tentaram impor silêncio.
Nosso enredo é um grito. Um chamado pra olhar nos olhos dessas mulheres e entender: o dia ainda não acabou.
Nem o de ontem, nem o de hoje.
Porque o 14 de maio não libertou.
E o 25 de julho ainda é necessário.
Enquanto houver favela sendo empurrada pros cantos,
enquanto houver mulher preta sendo assassinada em silêncio,
enquanto houver diferença entre ser exaltada e ser explorada…
o dia não acaba.
Mas é nela que está o recomeço.
Na mulher preta.
Na mulher de trança, de turbante, de cicatriz.
Na mulher que resiste mesmo quando o mundo tenta apagar seu nome.
Na mulher que, como Tereza, não se curva.
O nosso enredo também é dela.
E ela é o futuro.