17/08/2024
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AUTOBIOGRAFIA CIENTÍFICA E OUTROS ENSAIOS
MAX PLANCK
Organização: César Benjamin
Tradução: Estela dos Santos Abreu
236 páginas – de R$ 75,00 por R$ 45,00 no site da editora
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Max Karl Ernst Ludwig Planck (1858-1947) influenciou decisivamente a ciência contemporânea. Nasceu em Kiel, Alemanha, em uma família que tradicionalmente formava pastores protestantes e juristas. Recebeu na juventude estímulos múltiplos, em casa e na escola, bem de acordo com a tradição da Bildung alemã. Durante algum tempo hesitou entre a matemática, a música e a filologia. Quando se decidiu pela física — depois de estudar sozinho, detalhadamente, a "Teoria mecânica do calor", de Clausius —, seu professor Philipp von Jolly tentou dissuadi-lo, dizendo que nada de fundamentalmente novo restava para ser descoberto nessa disciplina. Ninguém poderia imaginar, então, que esse aluno com múltiplos interesses, de formação luterana e admirador da filosofia de Kant, viesse a lançar as bases de uma nova física.
Depois de obter o doutoramento com uma tese sobre a lei da entropia, Planck iniciou a longa carreira universitária que o colocou em posição de liderança na ciência alemã. A termodinâmica, a teoria da radiação, a relatividade e a filosofia da ciência predominam em sua vasta obra. Debruçado durante vinte anos sobre o enigma da radiação do corpo negro, fez a revolucionária descoberta do “quantum elementar de ação”, cujas consequências logo ultrapassaram o problema de origem e, depois, a própria física. Descobriu uma constante universal.
A pequenina “constante de Planck” revelou-se uma das ferramentas mais importantes para a nossa compreensão do Universo, abrindo caminhos novos para os estudos sobre a estrutura da matéria, a estabilidade dos átomos, a entropia dos gases e as radiações eletromagnéticas, inclusive a luz visível. Foi a origem da física quântica.
Muito depois, agindo com bastante humildade, Einstein disse que a descoberta de Planck “tornou-se a base de toda a pesquisa em física no século XX”.
Na “Autobiografia científica” e em “Gênese e evolução da teoria dos quanta”, sua Conferência Nobel, incluídas neste volume, podemos ver como ele chegou à estranha ideia de que a emissão e a absorção de energia não são processos contínuos, mas se realizam por múltiplos dessa constante. Ao contrário do que se considerava bem estabelecido desde a Antiguidade, e que permanecia inquestionado, a natureza dá saltos!
Planck foi também um gigante moral. Ultrapassou com integridade os acontecimentos da vida política alemã na primeira metade do século XX, defendendo cientistas judeus durante o nazismo, e suportou com estoicismo as sucessivas tragédias em sua vida pessoal. Sobreviveu aos quatro filhos: duas mulheres que morreram ao dar à luz e dois homens, um deles caído na batalha de Verdun, na Primeira Guerra Mundial, o outro fuzilado durante a repressão que se seguiu a um atentado contra Hi**er em 1944. Durante um bombardeio a Berlim perdeu a casa, a biblioteca que amava e o precioso diário que mantinha desde a juventude. Aos 87 anos, deixou caminhando o antigo lar, em fogo e ruínas, levando um s**o de dormir, acompanhado da mulher, que só conseguira salvar uma pequena valise.
Mesmo assim, Planck manteve-se fiel aos imperativos morais, à formação protestante e à busca da verdade e do bem. A ciência, para ele, estava associada a uma moral, sem a qual não chega a bom termo. Além de cientista, foi um filósofo da ciência, como se verá neste pequeno volume. Sua crença em um Deus ordenador do Universo não conflitava com a certeza de que a natureza é regida por leis precisas e simples, que podemos conhecer. A ciência devia se distanciar da mera observação, e do antropomorfismo a ela associado, para realizar o esforço contínuo e progressivo de obter uma representação cada vez mais refinada do mundo real.
Recusava o indeterminismo: “Pensamento causal e pensamento científico se equivalem. O objetivo da ciência é levar até o fim, plenamente, a pesquisa das causas.” Considerava que a contradição entre a causalidade estrita e o livre-arbítrio era apenas aparente e pedia que, mesmo partindo de pontos de vista diferentes, ciência e religião trabalhassem juntas contra o ceticismo, o dogmatismo, a descrença e a superstição.
Assim foi Max Planck, homem e cientista que seus contemporâneos tanto admiraram. Devemos admirá-lo sempre.
César Benjamin
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