01/05/2023
Primeiro de maio, dia do trabalho. Cada dia mais, a data traz a reflexão sobre a diversidade do que ele representa. Há milhares de pessoas sem trabalho, outras tantas, com trabalhos vulneráveis, há também os ludibriados pela ideia de trabalhos autônomos e informais, como forma privilegiada de representação do que seja trabalho, ou seja, são muitas dimensões e cada vez menos homogeneidade.
No NUTRA, nosso desafio mais premente é o de compreendermos a complexidade que configura o novo cenário do trabalho. Atravessamentos tecnológicos, vínculos débeis, modos produtivos diferenciados, dentre outros desafios, rivalizam com a ideia que muito de nós ainda crê prevalente, qual seja, da sociedade laboral. O ser trabalhador na contemporaneidade mais se assemelha a um caleidoscópio, onde a cada pequeno giro, propicia uma nova conformação, mas nos mantém na condição de trabalhadores.
Curiosamente nos deparamos com modos aparentemente superados, que voltam com novas configurações. Falamos de escravidão, intensificação e sofrimento, mas ainda investimos afetivamente na esperança de reconhecimento, de autonomia e de prazer. As múltiplas facetas do trabalho, só confirmam sua relevância nos modos de constituição subjetiva que nos guiam.
Ontem, porém, ao me deparar com o discurso do atual presidente da república, alguém que tem sua trajetória fundada nas lutas sindicais, enaltecendo o trabalho e a classe trabalhadora, me surpreendi ao ouvir o soar de panelas, que compreendi como crítica a esse enaltecimento. F**a claro que o principal desafio que ainda deve ser buscado é aquele que recoloca a dimensão política como centro da reflexão sobre o trabalho. A desigualdade e a aversão à classe trabalhadora que é nutrida por parte da “elite” (bastante questionável essa denominação, mas profundamente difundida), constituem barreira para os avanços civilizatórios que transformariam nossa sociedade. Enfrentemos a modulação dos princípios neoliberais e busquemos o resgate do laço social que viabilizará a potência do trabalho como elemento de humanização de nossa existência. Esse será sempre nosso maior desafio!