26/05/2020
Um passeio pela história da ciência brasileira e sua contribuição para o estudo da Covid-19: Sérgio Henrique Ferreira (4 de outubro de 1934 - 17 de julho de 2016) foi médico e farmacologista brasileiro conhecido pela descoberta do fator potenciador da bradicinina, que levou a novos e amplamente utilizados medicamentos anti-hipertensivos - os inibidores da ECA (captopril e similares). Se ainda estivesse no meio de nós, o que ele diria a respeito do SARS-CoV-2, o novo coronavírus? Analisando os conceitos sobre o papel da enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2), porta de entrada do SARS-CoV-2, na fisiopatologia da COVID-19, apostaria na desregulação do sistema calicreína/cinina (KKS) e sua interação com os sistemas renina/angiotensina (RAS), sistema de coagulação (CS) e complemento. O artigo discursa sobre a participação da cascata das cininas no mecanismo patológico do SARS-CoV-2, traçando um diálogo entre a diminuição da expressão da ECA2 com a desregulação dos sistemas KKS, RAS e CS levando às repercussões não só pulmonares, mas também sistêmicas da COVID-19. Nesse artigo do nosso grupo, aceito para publicação na revista “Medical Hypotheses”, a proposta é que a inflamação descontrolada sob o evento da tempestade de citocinas, típica da forma grave de COVID-19, anda junto com hipercoagulação e a união tem como elo a desregulação do KKS provocada pelo mecanismo viral específico da doença. Assim, a terapêutica farmacológica visando a diminuição dos estragos causados pela infecção por SARS-CoV-2 focaria na inibição do KKS, por bloqueio de receptores da bradicinina ou por impedimento da ação da calicreína, enzima importante na produção de cininas, interferindo nos eventos inflamatórios e trombogênicos ao mesmo tempo.
Acesse o trabalho:
https://doi.org/10.1016/j.mehy.2020.109886
https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=3609876