Abaporu, UNILA

Abaporu, UNILA Página dedicada à campanha do Prof. Amilton e da Profa. Marlei à reitoria da UNILA.

Nos últimos dias, a campanha para reitoria tomou rumos pouco civilizados. Como artífices do coletivo Abaporu resolvemos ...
07/05/2023

Nos últimos dias, a campanha para reitoria tomou rumos pouco civilizados. Como artífices do coletivo Abaporu resolvemos que não vamos compactuar e não iremos mais participar de um processo eleitoral tão desleal. A truculenta campanha de sucessão para reitoria da UNILA impôs um enorme fardo sobre toda a comunidade universitária. Em lugar do debate qualificado, pautado pela divergência institucional e programática, estamos de volta à rotina de linchamento pessoal pelas redes sociais.

Por isso, entendemos que a UNILA está sob grave risco de ocaso institucional, caso paute suas escolhas para a Reitoria a partir desse diapasão. Quem acompanhou os debates e declarações dos candidatos tem testemunhado visões deturpadas sobre como a UNILA deve funcionar.

O objetivo da candidatura da Chapa 1 sempre foi politizar o debate acerca da vida universitária. E esse debate já não se faz mais presente. Nossa responsabilidade não é pequena e se agiganta na medida em que a UNILA e seus membros sofrem com ataques e exposições internas e também públicas. Por essa razão, o professor Amilton Moretto e o coletivo Abaporu anunciamos que não continuaremos mais na disputa eleitoral pela reitoria.

Abaporu entende a gravidade dessa situação e se esforçou arduamente para oferecer uma alternativa à comunidade. No entanto, também compreendemos que as boas ideias e agendas nem sempre prevalecem no debate, especialmente quando a opinião pública passou a ser volúvel aos sopros das redes sociais. Como temos responsabilidade com o futuro da UNILA e não compreendemos Abaporu como instrumento de captura institucional da universidade para fins alheios a sua missão acadêmica, julgamos prudente retirar a candidatura do professor Amilton da consulta para composição da lista tríplice da reitoria da UNILA.


Foz do Iguaçu, 7 de maio de 2023.

INFRAESTRUTURAS POLICÊNTRICAS E O DELIBERACIONISMO FACCIOSO NA UNILA: O FUTURO JÁ NÃO É COMO ERA ANTIGAMENTE A infraestr...
21/04/2023

INFRAESTRUTURAS POLICÊNTRICAS E O DELIBERACIONISMO FACCIOSO NA UNILA: O FUTURO JÁ NÃO É COMO ERA ANTIGAMENTE

A infraestrutura da UNILA possui desafios relacionados não apenas às suas instalações físicas, mas a todas as plataformas que proporcionam as interações dos seus membros. Isso inclui obviamente uma estrutura multicampi apartada da vida cívica de Foz do Iguaçu e isolada no espaço de segurança de Itaipu, muitas vezes hostil às particularidades da interação acadêmica. Mas também inclui as novas sociabilidades das plataformas digitais e o fato da UNILA ser uma universidade poliglota. Essas três dimensões implicam que a UNILA é regida por infraestruturas policêntricas, sem que tenha desenvolvido um circuito integrado de cultura acadêmica.

O custo da ausência de um campus próprio não pode ser medido apenas pelo aluguel que a UNILA desembolsa em instalações provisórias. A falta de um campus próprio e o funcionamento de instalações alugadas numa área de segurança nacional inibem o desenvolvimento de uma cultura acadêmica de experimentação e confiança. O campus não pode ser apenas o lugar onde se assistem aulas; precisa ser também e principalmente o centro de uma vida intelectual ativa, onde uma nova fraternidade é forjada. A ausência anômica dessa interação cívica extraclasse impõe um custo muito alto à cultura acadêmica da UNILA, configurando uma estrutura multicampi policêntrica disfuncional. Por isso, é imperativo que a UNILA aproveite os ventos políticos favoráveis para concluir e por em funcionamento o campus Niemeyer.

Seguindo as tendências mundiais, a vida acadêmica da UNILA passa de uma transição dramática nos padrões de sociabilidade. Anteriormente mediadas pelo texto escrito físico, a vida acadêmica agora é desafiada por aquilo que Nicholas Carr tem chamado de mentalidade malabarista das redes. As plataformas digitais - onde a comunidade acadêmica agora consome a maior parte do tempo - são também uma infraestrutura policêntrica. Essa mudança de hábito na economia da atenção, impulsionada pelas redes sociais, não veio sem custos: ainda de acordo com Carr, toda tecnologia intelectual encarna uma ética intelectual, ou seja, um conjunto de premissas acerca de como funciona ou deveria funcionar a mente humana. As redes sociais são uma nova tecnologia intelectual que oferece estímulos sensoriais e cognitivos – repetitivos, intensivos, interativos e viciantes – que são capazes de provocar alterações rápidas e profundas nos circuitos cognitivos, prejudicando nossa capacidade de atenção e retenção de forma inédita. Contrabalancear essa tendência dispersiva e fragmentada é fundamental para criar uma identidade integracionista.

A configuração poliglota da UNILA é outra infraestrutura policêntrica. Embora seja uma universidade declaradamente bilíngue, a UNILA possui pelo menos três idiomas francos: português, francês e espanhol; além de minorias étnicas e linguísticas nativas. Embora possua um intensivo programa de ensino de línguas, a UNILA está longe de ter uma maioria fluente em pelo menos dois idiomas. Há, portanto, uma barreira linguística que precisa ser superada para garantir a integração da comunidade acadêmica da UNILA.

Tais infraestruturas policêntricas organizaram a UNILA, mas são também os principais desafios para seu projeto integracionista - criando espaço para um deliberacionismo faccioso. Em outras palavras, a universidade ainda é vulnerável à paralisia decisória, à incapacidade de vertebrar rotinas institucionais, e ao oportunismo de origem corporativista, partidário e até mesmo místico-religiosa. Como uma instituição jovem que ainda luta pelo reconhecimento acadêmico dentro e fora do Brasil, a UNILA é vítima de estratégias de captura política predatória que se colocam muitas vezes em oposição direta às rotinas acadêmicas mais rudimentares. Ameaçam requisitos de qualidade para o funcionamento da universidade, empurrando estudantes e professores para evasão. A Chapa 1, Abaporu, UNILA! acredita que é preciso superar os efeitos desestruturadores do seu modelo policêntrico para que a UNILA possa criar uma cultura intelectual acadêmica que projete a universidade como um centro de referência na América Latina e Caribe.

A UNILA DEVE SUPERAR SEUS DESAFIOS, MAS SEM RETROCESSOSA UNILA apresenta indicadores dramáticos de evasão estudantil e i...
12/04/2023

A UNILA DEVE SUPERAR SEUS DESAFIOS, MAS SEM RETROCESSOS

A UNILA apresenta indicadores dramáticos de evasão estudantil e isso não é um quadro recente. Desde a sua criação, a UNILA encontra dificuldades para reter e formar os estudantes que passam pelos seus cursos. Os números do censo da educação superior do INEP demonstram que a UNILA é deficiente não apenas em relação ao conjunto das antigas universidades públicas, mas também em comparação às novas universidades federais criadas na mesma época da UNILA.

Uma das características marcantes desse padrão da UNILA é a evasão estudantil ainda nos primeiros anos de estudo. Entre 2011 e 2012, início de seu funcionamento, a UNILA perdeu 37,36% de seus estudantes. No mesmo período, as jovens universidades federais criadas pelo governo Lula perderam em média 23,4% dos discentes. Essa proporção de evasão estudantil precoce diminuiu mas permaneceu ao longo da história recente da UNILA: 16,3% dos estudantes que ingressaram em 2017 abandonaram seus cursos ainda naquele ano. Se considerarmos o número de estudantes que ingressou em 2017, apenas 11,4% conseguiram se formar em 2021 na UNILA. É a menor taxa de egressos entre as novas universidades federais que, em média, formaram 20,2% nesse mesmo intervalo.

Esses números comparados revelam que a evasão não é um problema recente na história da UNILA, tampouco fruto do fato dela ser uma instituição jovem que ainda busca se estruturar. As causas desse grave problema devem ser procuradas dentro do modelo de organização da UNILA, assim como os caminhos para sua superação.

Abaporu acredita que esse quadro dramático decorre de pelo menos cinco fatores: 1) a ausência de um campus próprio; 2) cursos com quadro docente incompleto; 3) aumento do custo de vida e defasagem no valor das bolsas estudantis; 4) superposição burocrática que produz rotinas deliberativas estafantes na universidade; 5) anêmica interação cívica extraclasse, minando a fraternidade e a cultura acadêmica.

A solução para esses desafios não pode ser a volta a uma rotina de voluntarismo arbitrário das instâncias decisórias da Universidade em detrimento dos marcos institucionais que devem reger o sistema público de educação superior onde a UNILA está inserida. Esse voluntarismo arbitrário prevaleceu nos primeiros anos de funcionamento da UNILA e não pode voltar. Foi isso também que gerou a grande evasão nos primeiros anos de funcionamento da Universidade. É preciso resolver os problemas da UNILA olhando para frente, sem retrocessos!

O QUE É UMA UNIVERSIDADE PROGRESSISTA?Todo projeto inovador, como o da UNILA, sofre os percalços para se estabelecer ins...
11/04/2023

O QUE É UMA UNIVERSIDADE PROGRESSISTA?

Todo projeto inovador, como o da UNILA, sofre os percalços para se estabelecer institucionalmente. Além de organizar sua rotina acadêmica, a UNILA precisa responder aos desafios impostos ao seu modelo voltado à integração regional. Em outras palavras, como responder sua missão institucional e, ao mesmo tempo, oferecer um horizonte programático inovador e, acima de tudo, intelectualmente consistente?

A missão da universidade pública é ser alavanca de política pública capaz de garantir educação de qualidade àqueles que dificilmente acessariam o ensino superior se precisassem pagar por isso. A universidade pública é, portanto, um instrumento de redução da desigualdade intergeracional e de subversão intelectual que permite às novas gerações questionarem a ordem social vigente.

Se impõe, portanto, a pergunta: é possível uma universidade ser progressista e negligenciar a qualidade da formação de seus cursos? É possível ser progressista e integracionista quando boa parte de seus cursos sofrem com deficiências organizacionais e de recursos humanos elementares? É possível ser progressista com elevadas taxas de evasão?

Abaporu acredita que a aparente dicotomia entre a institucionalização da excelência acadêmica e a vocação progressista da universidade não é apenas uma retórica sub-reptícia falsa como fundamentalmente equivocada, se a Unila pretende alcançar seus ambiciosos objetivos de ser uma plataforma da integração regional.

Endereço

Foz Do Iguaçu, PR

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