18/12/2018
PRECISAMOS FALAR SOBRE A COPA
No penúltimo Conselho Diretor ordinário da FL, convocado para o dia 21 de novembro de 2018, a pauta do uso do espaço da Copa do bloco Cora Coralina por parte do corpo discente foi discutida por mais de uma hora e meia. Isso se deu porque, duas semana antes, quem passasse de frente a Copa poderia ler na porta de entrada os seguintes dizeres “Uso restrito a professores e funcionários”. A partir desse acontecimento, uma colega que sentiu sua liberdade tolhida com aquele cartaz, na companhia de dois membros do Centro Acadêmico, o arrancou. Não bastasse a primavera fascista por que passa o Brasil e o mundo, agora os estudantes passam a ter seu direito de ocupação do espaço público revisto!
Vale lembrar que dois anos antes quem ocupou os institutos da UFG, inclusive a Faculdade de Letras, por pouco mais de 20 dias, contra a Emenda Constitucional 95, ou PEC da Morte, foram os estudantes! A copa, nesse contexto, passou a ser o lugar onde produzíamos nossas refeições diárias, enquanto ouvíamos de alguns professores que éramos um “bando de desocupados”, “estudar que é bom ninguém quer”. Houve até mesmo professor que ameaçou entregar o nome dos estudantes ocupados para a polícia! Enfim, a PEC foi aprovada, as atividades acadêmicas voltaram como se nada tivesse acontecido e os espaços da Faculdade de Letras, ao menos no imaginário discente, foram ressignificados. Passamos dois anos sem comunicado algum que restringisse o uso da Copa aos estudantes.
Contudo, parece que a nossa presença nesse espaço, seja para beber um copo d’água, seja para o uso do micro-ondas ou mesmo da pia, incomoda e muito os e as Doutores e Doutoras da Faculdade. No conselho diretor supracitado, o encaminhamento tirado foi de que os Departamentos discutissem entre si acerca da utilização da Copa, já que as opiniões entre os docentes são bastante contrárias, a fim de ser retomada a discussão n’outro Conselho Diretor.
Como costume nesses tempos de pós-verdade, o argumentum ad hominem é validado em detrimento de proposições que apontem o porquê do incômodo com nossa presença, e é nesse sentido que surgem as acusações. Na semana passada uma cadeira da Copa quebrou ou foi quebrada, e não existe ainda uma perícia para o caso, mas não é difícil imaginar qual grupo surgiria como suposto culpado. Isso mesmo, alguns professores acusam os estudantes da Faculdade de Letras pelo acontecido, já que para eles somos nós os maiores frequentadores da Copa e é característica do nosso ser “depredar” o patrimônio público. Afinal, a preocupação é sempre o patrimônio.
Amanhã acontecerá um novo Conselho Diretor e imaginamos que mais uma vez essa pauta será levada para discussão. Nós seguiremos defendendo o direito ao uso irrestrito da Copa e convidamos todos e todas os/as estudantes para ocupar essa reunião. Por outro lado, apontamos a necessidade de enfrentamento a discursos e atitudes autoritárias dentro da Faculdade de Letras, afinal não estamos apartados da realidade concreta lá fora. Em tempos de retirada de direitos trabalhistas, caça às liberdades democráticas, avanço dos discursos de ódio às minorias e institucionalização da violência, nenhuma forma de segregação será tolerada!
Abaixo, anexamos alguns prints de tela que chegaram até nós . Mas claro que são os estudantes que querem "fazer guerra" e criar um clima de inimizade com os professores!
[BOAS FÉRIAS]